• Redação
  • 08/11/2026

Pesquisa Quaest: maioria vê eleição limpa e reprova a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

A pesquisa Quaest divulgada neste domingo 8 mostra que 61% dos brasileiros acreditam que as eleições deste ano foram limpas e justas, contra 30% que dizem ter havido fraude. Outros 9% não sabem ou não opinaram. O levantamento também mediu a avaliação sobre a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos: para 62%, foi um erro.

As dúvidas sobre o processo eleitoral foram levantadas pelo próprio Flávio, candidato derrotado por Lula (PT) no segundo turno. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atestou a integridade da votação, que também foi aprovada por observadores internacionais.

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concede entrevista — Geraldo Magela/Agência Senado

Divisão ideológica

A visão sobre a lisura do pleito muda conforme o posicionamento político. Entre os eleitores lulistas, 96% dizem que a eleição foi limpa e justa; entre os bolsonaristas, 93% afirmam que houve fraude. Já entre os classificados como independentes, 61% consideram o processo correto e 22% discordam.

Conforme divulgado na imprensa, em entrevista Flávio afirmou que nenhum dos dois candidatos pode saber com 100% de certeza quem foi eleito. Ele admitiu não ter provas de irregularidades, mas disse ter motivos para desconfiar e afirmou que o tema é proibido de ser investigado no país.

Repercussão da viagem aos EUA

Flávio deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos depois da derrota e da ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para cancelar seus passaportes. O assunto chegou a quase todo mundo: 89% dos entrevistados souberam da viagem, índice maior que o de outras notícias testadas, como a crise no STF envolvendo Moraes, André Mendonça e o caso do Banco Master (73%) e as investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente (66%).

Para 62%, a saída foi equivocada, enquanto 29% a consideram acertada e 9% não sabem ou não opinaram. Sobre o motivo, 56% acreditam que ele tentava escapar da Justiça e 35% afirmam que viajou para se proteger de perseguição política. Só 2% descartam as duas hipóteses, e 7% não souberam responder.

O recorte ideológico se repete: 92% dos lulistas desaprovam a atitude, e 90% dos bolsonaristas a aprovam. Entre os independentes, 63% rejeitam a decisão, 21% a aprovam e 16% não souberam ou não quiseram responder.

Carta e comportamento após a derrota

Depois de sair do país, Flávio publicou uma carta em que se autointitulava “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A expressão foi trocada em uma nova versão do texto, mas ele seguiu lançando, sem apresentar evidências, dúvidas sobre o processo eleitoral. Segundo a pesquisa, 70% dos entrevistados ficaram sabendo da carta, e 30% não tinham conhecimento.

Para 60% dos eleitores, Flávio se comportou mal diante do resultado; 25% dizem que agiu bem, 9% afirmam que não foi nem bem nem mal, e 6% não responderam. Como parâmetro, depois da eleição de 2022, 45% consideraram que Jair Bolsonaro agiu mal, e 41% disseram o contrário.

Metodologia

A Quaest ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em entrevistas pessoais nos domicílios, entre 30 de outubro e 2 de novembro. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.