• Redação
  • 09/05/2026

ERA MENTIRA - MPF desmonta alegação de “espelhos d’água” da Prefeitura e aponta falhas graves na drenagem da engorda de Ponta Negra

A ação civil pública do Ministério Público Federal contra o Município de Natal praticamente desconstrói a narrativa adotada pela Prefeitura de que os alagamentos na faixa de areia da engorda seriam simples “espelhos d’água” previstos no projeto. Embora a própria SEINFRA tenha alegado ao MPF que parte do acúmulo de água já era esperado, os laudos técnicos e relatórios anexados à ação descrevem um cenário muito mais grave: dissipadores sem funcionamento adequado, água estagnada com odor de esgoto, estruturas subdimensionadas, falhas hidráulicas e risco de erosão da própria engorda. O MPF sustenta que os dispositivos implantados não cumprem corretamente sua função de dissipar e conduzir as águas pluviais, funcionando muitas vezes apenas como reservatórios improvisados de retenção.

Os relatórios da FUNPEC/UFRN, utilizados pelo próprio MPF na ação, reforçam esse entendimento ao afirmar que “as metas de mitigação de inundações estão distantes de serem atingidas” e que os dispositivos de drenagem “não estão funcionando conforme o esperado”. A fundação também registrou presença de água contaminada, resíduos sólidos, infiltrações, erosão e risco estrutural em dissipadores próximos ao Morro do Careca. Para o MPF, os alagamentos recorrentes não representam um efeito paisagístico natural ou previsto, mas sim evidências concretas de deficiência técnica na drenagem da engorda e possível comprometimento da estabilidade e da segurança ambiental da obra.