15 de abril de 2026
Estátua da Havan como cartão-postal de Natal simboliza elites dirigentes que desrespeitam a história da Cidade do Sol
Autor: Daniel Menezes
A instalação da estátua da Havan na entrada de Natal acabou se transformando em mais do que uma discussão estética. O monumento simboliza uma desconexão entre parte das elites dirigentes e a identidade cultural da cidade. Em vez de valorizar elementos locais, a escolha por uma réplica de um ícone estrangeiro éreflexo de uma mentalidade que não respeita o planejamento urbano e o direito à paisagem. Agora temos na entrada de Natal, o cartão postal bizarro estabelecido como o que (não) temos para mostrar.
O caso foi tratado com permissividade, inclusive com a criação de uma polarização artificial para evitar a aplicação rigorosa da legislação, simplesmente o código de obras do município. Ganhou força naquele momento o falso argumento de que a instalação da loja dependeria da manutenção da estátua, tese facilmente contestada pela observação da expansão da empresa em diferentes estados, inclusive em locais onde adaptações foram feitas para respeitar normas locais ou onde o monumento sequer foi autorizado. O Potiguar deu nos últimos dias a situação do Maranhão, mas há outras. Os empregos não seriam perdidos se a identidade de Natal fosse respeitada.
O episódio revela um impasse mais profundo sobre o projeto de cidade que a capital deseja construir. Temos uma cidade que perde a oportunidade de afirmar sua própria constituição e de organizar seu crescimento de forma mais harmônica e alinhada com seus próprios valores. O resultado é um cartão postal na entrada de Natal, o símbolo do que temos para mostrar como cartão de visitas da nossa própria percepção inferiorizada. Uma elite dirigente que acha natural não buscar o melhor para o seu entorno, enquanto tenta contrair prestígio postando fotos no instagram do que enxerga ser a cultura civilizada de espaços urbanos europeus.
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