UOL REVELA: ESCRITÓRIO DE FLÁVIO BOLSONARO FATUROU QUASE R$ 14 MILHÕES DURANTE MANDATO NO SENADO
Reportagem publicada pelo UOL, assinada pelos jornalistas Artur Rodrigues e Fabio Serapião, revela que o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro faturou pelo menos R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026, período em que ele exercia mandato de senador. O levantamento analisou 62 notas fiscais, a maioria com descrições genéricas de assessoria jurídica. Apesar dos valores milionários, os jornalistas localizaram apenas um processo judicial relacionado aos serviços faturados. O escritório funciona oficialmente na própria mansão de Flávio, em Brasília, e não possui funcionários além de seu titular. A ausência de processos identificados, porém, não comprova irregularidade, já que serviços jurídicos também podem ocorrer fora dos tribunais.
Entre os principais pagadores aparecem personagens ligados ao bolsonarismo e ao Judiciário. O escritório de Edvaldo Nilo, indicado por Jair Bolsonaro à Comissão de Ética Pública, responde por R$ 4 milhões. Empresas de advocacia ligadas a Otto Medeiros, amigo do ministro Kassio Nunes Marques, aparecem com R$ 2,1 milhões. Outros R$ 970 mil foram faturados ao escritório de um advogado que integra a defesa de Jair Bolsonaro. Há ainda R$ 3,3 milhões em notas emitidas para a Simas Industrial de Alimentos, do Rio Grande do Norte. A reportagem também identificou uma nota de R$ 500 mil para uma empresa ligada à Copenhagen, consultoria que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master.
O caso ganha gravidade porque a Polícia Federal já investiga movimentações financeiras envolvendo o escritório de Flávio Bolsonaro, especialmente indícios de eventual compartilhamento de contas bancárias com o advogado Willer Tomaz, hipótese negada pelos envolvidos. A investigação deverá esclarecer a natureza das transações e a efetiva prestação dos serviços. Embora senadores possam exercer a advocacia dentro dos limites legais, o volume de dinheiro, as conexões políticas dos clientes e a falta de detalhamento de parte dos contratos levantam questionamentos que exigem esclarecimentos. Procurada pelo UOL, a campanha de Flávio não respondeu até a publicação da reportagem.