• Redação
  • 15/08/2026

Sem “Lula” no nome, Cadu pode perder o atalho nas pesquisas, mas não necessariamente votos

O Ministério Público Eleitoral agiu com isonomia ao questionar tanto o uso de “Cadu de Lula” quanto o de “Rodrigo Bolsonaro” nas urnas. Nos dois casos, a Procuradoria sustenta que os nomes podem gerar confusão sobre a identidade dos candidatos, já que não correspondem a sobrenomes civis ou vínculos familiares com Lula e Bolsonaro. Os pareceres não encerram a questão: cumprido o papel do parquet, caberá aos candidatos apresentar seus argumentos e ao TRE-RN decidir se as designações poderão ser mantidas.

Do ponto de vista eleitoral, porém, minha hipótese é que uma eventual retirada do “Lula” não representaria necessariamente um prejuízo relevante para Cadu Xavier. O principal efeito pode ser o retardamento da associação entre o candidato e o presidente. Hoje, quando uma pesquisa estimulada apresenta “Cadu de Lula”, o próprio nome já entrega ao entrevistado uma informação política decisiva: aquele é o candidato associado a Lula. Sem essa designação, parte do eleitorado que ainda desconhece Cadu poderá demorar mais para fazer essa conexão.

Isso não significa, contudo, que esse eleitor deixará de chegar a Cadu. A tendência é que a associação seja construída durante a própria campanha, especialmente quando aumentar a exposição dos candidatos na televisão, no rádio e nas demais peças eleitorais. Em outras palavras, a retirada do “Lula” pode mudar o momento em que a informação chega ao eleitor, e não necessariamente seu destino final. Pesquisa eleitoral mede preferências dentro das condições informacionais existentes no momento da entrevista; ela não fabrica voto. Se a vinculação política entre Cadu e Lula for amplamente comunicada durante a campanha, o eleitor que hoje identifica essa relação diretamente pelo estímulo da pesquisa poderá fazê-lo mais adiante pelos meios tradicionais da disputa eleitoral.