R$ 112 milhões ou uma conta sobre areia? A fragilidade que coloca em xeque o estudo de base de pesquisa da UERN sobre o São João de Natal
A pesquisa da Uern sobre o impacto econômico do São João de Natal parte de uma premissa metodológica que merece ser debatida: o cálculo de R$ 112,6 milhões depende diretamente da estimativa de público divulgada pela própria Prefeitura de Natal. Em outras palavras, o estudo não mede quantas pessoas participaram do evento; ele utiliza esse número como base para multiplicar o gasto médio apurado entre os entrevistados.
Esse é o ponto central da discussão. Uma pesquisa amostral pode estimar com razoável precisão quanto cada participante gastou, mas não consegue calcular o impacto econômico total sem conhecer, com segurança, o tamanho do público. Se a quantidade de participantes estiver superestimada, o valor final também estará. Se estiver subestimada, ocorrerá o contrário. Assim, a confiabilidade dos R$ 112,6 milhões depende, necessariamente, da confiabilidade da estimativa de presença.
O debate ganha relevância porque a Prefeitura divulgou um público acumulado próximo de um milhão de pessoas durante o evento, incluindo estimativas de quase 200 mil participantes em um único dia. E, a não ser que a lei da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço tenha sido derrubada, estamos diante de dados inflados e sem condições de, me permita o tom coloquial, caber naquele estacionado do Arena das Dunas. Sem a apresentação de uma metodologia independente e transparente para essa contagem, a principal premissa utilizada para calcular o impacto econômico permanece sem comprovação pública.