Discurso de perseguição de Rogério Marinho não resiste aos fatos: STF foi moderado com Bolsonaro
Ao classificar a proibição temporária de visitas de Flávio Bolsonaro ao pai como "interferência no jogo político", Rogério Marinho ignora um aspecto relevante do caso: a medida adotada pelo ministro Alexandre de Moraes foi restrita à suspensão das visitas por 90 dias, após o entendimento de que Flávio utilizou o contato para divulgar uma carta de Jair Bolsonaro, contrariando as restrições impostas ao ex-presidente. A decisão não revogou a prisão domiciliar nem determinou medidas mais gravosas, apesar da alegação de descumprimento das cautelares.
Sob essa perspectiva, é possível sustentar que a resposta do STF foi relativamente moderada. Bolsonaro permaneceu em prisão domiciliar, regime que já havia sido concedido por razões humanitárias durante o cumprimento da pena. A nova decisão limitou-se a restringir o contato com o filho por um período determinado, sem alterar o regime de cumprimento da pena. Assim, a crítica de Rogério Marinho parte da premissa de que houve excesso judicial, mas também é possível defender a leitura oposta: diante da conclusão de que houve utilização indireta das redes sociais por meio da divulgação da carta, a Corte optou por uma providência pontual, em vez de medidas potencialmente mais severas.