• Redação
  • 05/11/2026

Presidente do Paraguai anuncia renúncia após crise bancária e protestos no país

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que decidiu renunciar ao cargo em meio à crise provocada pelo colapso do banco digital Ueno Bank. A instituição sofreu intervenção do Banco Central paraguaio após ser considerada insolvente, desencadeando protestos populares, mudanças no comando da autoridade monetária e uma crise política no país.

A decisão foi comunicada pelo presidente em um vídeo publicado nas redes sociais. No pronunciamento, Peña afirmou que a saída do governo busca preservar a estabilidade institucional e evitar o agravamento das tensões.

“Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”, declarou.

Segundo a imprensa paraguaia, a renúncia ainda precisa ser aceita pelo Congresso Nacional, que deverá convocar uma sessão para analisar o pedido. O anúncio ocorre após a abertura de um processo de impeachment contra o presidente.

Quebra de banco provocou protestos e renúncias

A crise começou após o Ueno Bank, instituição que atende aproximadamente 40% da população paraguaia, interromper suas operações e bloquear o acesso dos clientes a contas bancárias e investimentos.

O Banco Central do Paraguai determinou a intervenção na instituição depois de identificar problemas de capitalização e insolvência. O episódio levou à renúncia do presidente da autoridade monetária, Carlos Carvallo, e de outros dois diretores.

Oito executivos e ex-executivos do banco também tiveram a prisão preventiva decretada em meio às investigações sobre a crise financeira.

Na noite de terça-feira (3), centenas de paraguaios foram às ruas para protestar contra o bloqueio dos recursos e exigir a devolução do dinheiro depositado na instituição.

Clientes devem começar a receber recursos

Em meio à crise, as autoridades paraguaias anunciaram a liberação de aproximadamente R$ 14 milhões para clientes do Ueno Bank, com início dos pagamentos previsto para sexta-feira (6).

Segundo informações divulgadas pelo jornal paraguaio Hoy, os beneficiários serão comunicados por e-mail sobre os valores disponíveis e as instituições responsáveis pelas transferências.

Clientes que possuem contas em outros bancos receberão os recursos por meio dessas instituições. Para aqueles que não mantêm relacionamento com outro banco, está prevista a abertura de contas provisórias.

O diretor do Fundo de Garantia de Depósitos, José Maciel, informou que os beneficiários receberão orientações individuais sobre o procedimento.

Peña pede desculpas e defende preservação dos depósitos

Aliado do presidente americano Donald Trump, Santiago Peña vinha defendendo a solidez do sistema financeiro paraguaio e, no início da crise, minimizou as preocupações relacionadas à situação do Ueno Bank.

Na terça-feira, o presidente chegou a criticar a cobertura da imprensa sobre os problemas financeiros da instituição, afirmando que as notícias poderiam provocar temor entre os paraguaios.

No pronunciamento de renúncia, porém, Peña pediu desculpas à população e afirmou esperar que os recursos dos clientes sejam protegidos.

“Peço desculpas ao povo, caso eu tenha falhado em algum momento. Nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim”, declarou.

O presidente também defendeu que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra sua função de proteger o dinheiro dos correntistas e os recursos públicos.