Banco digital quebra no Paraguai e deixa brasileiros bolsonaristas com dinheiro retido nas contas
Brasileiros que vivem no Paraguai estão entre os milhares de clientes afetados pela quebra do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras digitais do país. O Banco Central paraguaio determinou a intervenção na instituição na terça-feira (3), após identificar graves problemas de solvência. A medida provocou o bloqueio de contas, a suspensão de transferências e dificuldades para realizar pagamentos e saques. Com aproximadamente 3 milhões de clientes, o banco havia se tornado uma das principais plataformas financeiras do Paraguai, atraindo inclusive brasileiros pela facilidade de abertura de contas.
A crise provocou filas em agências bancárias, protestos e preocupação entre correntistas que mantinham suas economias na instituição. Segundo reportagem de O Globo, brasileiros residentes no Paraguai relataram dificuldades para acessar seus recursos. A situação também atingiu comerciantes que dependiam dos serviços digitais do Ueno para receber pagamentos. O banco administrava centenas de milhões de dólares em depósitos públicos, incluindo recursos previdenciários, ampliando a dimensão econômica e política do problema.
O governo paraguaio anunciou medidas emergenciais para devolver os depósitos aos clientes. O sistema de garantia bancária cobre valores de até aproximadamente R$ 207 mil por pessoa, enquanto uma legislação aprovada durante a crise antecipou parte dos pagamentos. A intervenção também provocou investigações sobre a administração do banco e aumentou a pressão política sobre o presidente Santiago Peña, que manteve relações empresariais anteriores com o grupo controlador da instituição. Para os brasileiros atingidos, a principal preocupação continua sendo o prazo para recuperar o dinheiro e a possibilidade de perdas sobre valores superiores ao limite garantido.