Governo federal identifica irregularidades em transferência de mansão disputada por Richarlison e advogado ligado a Flávio Bolsonaro
A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) identificou possíveis irregularidades na transferência de uma mansão localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), para uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz. O imóvel é disputado judicialmente com o jogador Richarlison. Segundo reportagem do UOL, publicada nesta quinta-feira (5), a SPU questiona a rapidez da autorização concedida em julho de 2022, quando uma certidão necessária à transferência foi emitida em apenas uma hora e quarenta minutos, de forma manual, após a empresa alegar problemas no sistema eletrônico.
A secretaria também apontou dúvidas sobre a documentação judicial utilizada para justificar a operação, uma vez que os autos da ação de reintegração de posse não foram integralmente anexados ao processo administrativo. O caso foi encaminhado à Polícia Federal e à Controladoria-Geral da União (CGU), enquanto o Ibama foi acionado para verificar possíveis irregularidades ambientais. A mansão também foi incluída em uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens ligados a Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas.
Richarlison afirma ter adquirido o imóvel em 2020 por aproximadamente R$ 10 milhões e acusa Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro de participação em uma tentativa de retirar seus direitos sobre a propriedade. Willer sustenta que comprou legalmente a mansão de uma empresa que possuía o registro do imóvel. Flávio nega envolvimento na negociação e não integra a disputa judicial pela propriedade. As suspeitas administrativas ainda estão sob apuração e não representam conclusão definitiva sobre a titularidade do imóvel ou a responsabilidade dos envolvidos.