O Reencontro com o Pragmatismo nas Américas
Por Ricardo Valentim
Professor Titular da UFRN e Cofundador do LAIS
O recente encontro em Washington selou um capítulo de maturidade onde o Brasil não entrou apenas como um vizinho, mas como um sócio estratégico que conhece seu peso. Esse salto diplomático tornou-se possível porque, após um período de isolamento e equívocos que afastaram os EUA de seus aliados, Trump parece ter compreendido que a agressividade não constrói mercados. O Brasil nunca foi um adversário, e Lula soube ocupar esse espaço com a autoridade de quem não busca preferências ideológicas, mas parcerias reais. Ao afirmar que o país possui uma agenda de cooperação e não de conflito, o presidente brasileiro saiu grande da reunião ao deixar claro que o tempo de colônia ficou no passado: a exploração de ativos estratégicos, como as terras raras, só avançará se ambos os lados ganharem.
O reconhecimento dos erros anteriores por parte de Washington e a postura firme de Brasília podem redesenhar a trajetória do continente em direção a um modelo multipolar. Nunca é tarde para ajustar o rumo, e a percepção de que é melhor cooperar do que agredir abre uma janela de oportunidade única para as Américas frente às incertezas globais de 2026. Ao tratar o Brasil com a diplomacia devida aos países amigos, os EUA tentam recuperar um aliado vital, enquanto o Brasil consolida sua soberania. Esse aperto de mãos não foi apenas um gesto de cortesia, mas a sinalização de que, para o continente prosperar, o respeito mútuo é a única base sólida para uma nova trajetória de sucesso.