• Redação
  • 11/05/2026

COMO A MÍDIA REAGIRIA? - E se a Engorda de Ponta Negra tivesse sido feita por Fátima

Se toda a sequência de problemas apontados pelo Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União, Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional e FUNPEC/UFRN tivesse ocorrido em uma obra do Governo do Estado comandado pela governadora Fátima Bezerra, dificilmente o tema teria recebido cobertura tímida ou episódica. A comparação com o caso dos respiradores do Consórcio Nordeste é inevitável. Naquele episódio, envolvendo cerca de R$ 5 milhões, o próprio Governo do RN denunciou a empresa após a não entrega dos equipamentos durante a pandemia da Covid-19. Posteriormente, o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte concluiu que não houve irregularidade produzida pela gestão estadual, reconhecendo que o governo buscava alternativas emergenciais para salvar vidas em meio ao colapso sanitário. Ainda assim, Fátima enfrentou meses de desgaste político, cobertura massiva negativa e até uma CPI na Assembleia Legislativa.

Agora, o cenário envolve uma obra superior a R$ 100 milhões no principal cartão-postal do Rio Grande do Norte: a praia de Ponta Negra. E o que se acumula são apontamentos extremamente graves: denúncias de drenagem falha, estruturas hidráulicas ineficientes, tubulações questionadas, erros de execução, suspeitas envolvendo medições e custos, além de alertas ambientais e técnicos sucessivos emitidos por diferentes órgãos. Não se trata de uma crítica isolada de oposição política. São manifestações técnicas de instituições distintas, algumas delas federais, que convergem para um cenário de forte preocupação sobre a condução da obra e seus impactos permanentes sobre a orla natalense e o entorno do Morro do Careca.

A discrepância de tratamento político e midiático chama atenção. Enquanto o caso dos respiradores — no qual o próprio governo estadual acionou os órgãos de controle e conseguiu recuperar parte significativa dos recursos judicialmente — virou combustível diário de desgaste político, a engorda de Ponta Negra parece receber apenas flashes pontuais de cobertura, apesar da dimensão financeira, urbanística e ambiental do problema. Estamos falando de possíveis danos irreversíveis em um patrimônio simbólico e econômico do RN. A pergunta inevitável é: se fosse uma obra vinculada diretamente a Fátima Bezerra, o comportamento de parte da imprensa e da oposição seria o mesmo ou haveria uma cobertura permanente, com pressão política diária e exigência constante de responsabilização?