Ao invés de desrespeitar o direito de Juliana Garcia se posicionar, Matheus Faustino poderia se debruçar sobre a ação do MPF contra a engorda de Ponta Negra
O vereador natalense Matheus Faustino voltou a usar as redes sociais para criar embate político com a ativista Juliana Garcia após ela manifestar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da aproximação do processo eleitoral de 2026. Juliana tem o direito democrático de se posicionar politicamente e, considerando sua trajetória de defesa das mulheres e combate à violência contra a mulher, não causa surpresa sua aproximação com campos políticos que historicamente levantam essa pauta com mais intensidade. A reação de Matheus Faustino soa menos como debate público qualificado e mais como tentativa de lacração e polarização artificial para gerar engajamento político antecipado visando o próximo ciclo eleitoral.
Enquanto isso, temas muito mais graves e concretos seguem exigindo atenção de representantes públicos da capital potiguar. Em vez de gastar tempo atacando Juliana Garcia nas redes, Matheus Faustino poderia se debruçar sobre a pesada ação do Ministério Público Federal envolvendo a obra da engorda de Ponta Negra. O documento do MPF reúne uma sequência de críticas técnicas, apontamentos sobre falhas de drenagem, riscos ambientais e possíveis irregularidades na execução da obra, além de dialogar com relatórios negativos já emitidos por outros órgãos de controle. Trata-se de um debate que impacta diretamente recursos públicos, segurança urbana, meio ambiente e a própria credibilidade da gestão municipal, isto é, temas que deveriam ocupar a prioridade de qualquer vereador comprometido com a fiscalização da cidade.