• Redação
  • 05/11/2026

Mais de 44 mil votos com números de outros candidatos levantam hipótese de confusão entre os cargos no segundo turno do RN

Um dado curioso da eleição de 2026 no Rio Grande do Norte chama atenção para possíveis confusões dos eleitores na hora de digitar os números na urna eletrônica. Levantamento publicado pelo jornal Nexo mostra que 26.671 eleitores digitaram 22 na votação para governador, embora nenhum dos dois candidatos que disputavam o segundo turno utilizasse esse número. Na eleição presidencial, outros 18.282 eleitores digitaram 44, número de Allyson Bezerra, candidato ao governo estadual. Como a sequência de votação começava pelo governo e terminava na Presidência, os registros levantam a hipótese de que parte dos eleitores possa ter confundido os cargos. Quando estão errados, os números correspondem a votos nulos, não a votos computados para os candidatos. Há outros números estranhos ao segundo turno digitados pelos eleitores.

O dado ganha relevância especulativa diante da pequena diferença entre Cadu Xavier e Allyson Bezerra, de aproximadamente 32,6 mil votos. A soma dos 26.671 registros do número 22 para governador com os 18.282 registros do número 44 para presidente chega a 44.953 votos, quantidade superior à vantagem final de Cadu. Allyson recebeu apoios de importantes lideranças bolsonaristas, embora tenha procurado preservar uma posição de neutralidade na disputa presidencial. Nesse contexto, é possível formular a hipótese de que alguns eleitores de Flávio Bolsonaro tenham digitado 22 para governador por confusão, assim como eleitores de Allyson podem ter digitado 44 para presidente pelo erro da sequência dos candidatos na urna. 

A questão também envolve a identificação dos candidatos pelos números partidários. Cadu Xavier utiliza o 13, mesmo número de Lula na eleição presidencial, enquanto Allyson concorria com o 44 e Flávio Bolsonaro com o 22. Essa diferença pode ser investigada como possível fator de confusão na votação. O limite da análise é metodológico: os dados públicos das urnas não permitem identificar individualmente os votos de uma mesma pessoa para governador e presidente, preservando o sigilo do voto. Por isso, não é possível determinar quantos registros decorreram de erro na sequência de votação, quantos foram votos nulos intencionais ou qual teria sido o impacto sobre o resultado. Os números apresentados pelo Nexo revelam uma hipótese relevante para investigação, mas não comprovam que a confusão tenha alterado o vencedor da eleição. No fim, tudo fica no terreno da especulação e da curiosidade

1. Governador: 26.671 votos digitados no número 22

2. Presidente: 18.282 votos digitados no número 44