Em queda de braço trabalhista, gestão Pochmann deixa dezenas de servidores do IBGE sem salário após greve
Dezenas de servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficaram sem receber o salário de outubro depois que a direção do órgão, comandada por Márcio Pochmann, determinou o desconto acumulado dos dias de paralisação realizados em agosto e setembro. A medida atingiu trabalhadores de diferentes estados, especialmente da Bahia, onde a adesão à greve foi mais expressiva. Segundo informações publicadas pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, os descontos foram aplicados de uma só vez, comprometendo integralmente a remuneração de parte dos funcionários.
A decisão provocou reação da representação sindical, que tentou suspender os descontos por meio de articulações com os ministérios do Planejamento e da Gestão. Segundo os sindicalistas, os pedidos não foram atendidos pela presidência do IBGE, apesar das tentativas de negociação. A entidade também acusa Pochmann de não receber sua atual diretoria e questiona judicialmente a legalidade dos descontos, argumentando que deveria ter ocorrido uma negociação prévia sobre a compensação dos dias parados.
Em resposta, o IBGE afirmou que agiu dentro das normas da administração pública federal e seguindo orientações do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. O instituto também informou que havia comunicado ao sindicato a intenção de iniciar negociações após o período eleitoral. O episódio amplia o desgaste entre a gestão Pochmann e os trabalhadores, em um conflito que envolve reivindicações salariais, condições de trabalho e críticas à condução administrativa do órgão.