Lobista relatou “aero Lula” e acesso ao Planalto, mas não fechou contrato com o governo federal
Mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger indicam que ela relatava acesso a espaços ligados ao presidente Lula e viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira. Em março de 2023, afirmou à mãe ter ido a Brasília de “aero Lula” e, na sequência, enviou uma fotografia feita de dentro do Palácio do Planalto. Registros oficiais obtidos por Lei de Acesso à Informação confirmam que Luchsinger entrou no Planalto em 22 de março daquele ano.
Outras conversas divulgadas pela imprensa mostram Luchsinger dizendo que viajaria “de FAB” com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e mencionando estar na “sala do pai do Fábio”, referência a Lula. Os relatos ganharam repercussão porque o presidente afirmou, em agosto, que não conhecia Luchsinger nem havia conversado com ela. A Presidência, por sua vez, já sustentou que fotografias públicas dos dois juntos não comprovam relação pessoal, profissional ou política. As próprias mensagens, isoladamente, também não permitem determinar as circunstâncias exatas dos encontros e viagens narrados.
Apesar dos relatos de circulação no Planalto e de proximidade com pessoas do entorno presidencial, a reportagem não informa que Luchsinger tenha conseguido fechar qualquer contrato com o governo federal. Ela aparece em investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência, mas investigação e acesso a autoridades não equivalem à comprovação de contratação pública ou de favorecimento. Esse é um ponto importante para separar aquilo que está documentado — sua entrada no Planalto e as mensagens atribuídas a ela — das suspeitas que ainda estão sob apuração.