• Redação
  • 22/05/2026

Flávio Bolsonaro tenta mudar a pauta com encontro com Donald Trump, mas aproximação pode reforçar imagem de “representante” dos EUA no Brasil

O anúncio feito por Flávio Bolsonaro de que irá se encontrar com Donald Trump surge em um momento politicamente delicado para o senador, que enfrenta desgaste após as revelações envolvendo sua proximidade com Daniel Vorcaro e o escândalo relacionado ao Banco Master. A movimentação parece buscar uma mudança de agenda pública, tentando deslocar o foco do noticiário para a conexão internacional com o ex-presidente norte-americano e reforçar a identidade ideológica do bolsonarismo junto à sua base mais fiel. Ainda assim, a estratégia carrega riscos relevantes, especialmente porque Trump possui alta rejeição em setores importantes da sociedade brasileira e porque a viagem pode ser interpretada menos como agenda institucional e mais como um gesto político-eleitoral.

A diferença simbólica em relação a encontros realizados por chefes de Estado é justamente o ponto sensível da operação política. Quando Luiz Inácio Lula da Silva ou outros presidentes mantêm contatos internacionais, existe uma agenda oficial de governo, relações diplomáticas e interesses institucionais envolvidos. No caso de Flávio Bolsonaro, o encontro tende a ser lido prioritariamente sob a ótica ideológica e eleitoral. Se não controlar a narrativa, o senador pode acabar abrindo espaço para adversários sustentarem a tese de que atua mais como representante político de Trump no Brasil do que como formulador de um projeto nacional próprio para 2026. Em um cenário de crescente polarização e sensibilidade sobre soberania nacional, essa associação pode se transformar em um tema politicamente delicado fora da bolha bolsonarista.