O erro de 2022 pode se repetir? Divisão do campo lulista permitiu ascensão de Rogério Marinho e ajudou a formar oposição midiática e das elites contra Fátima Bezerra no RN
A eleição de 2022 para o Senado no Rio Grande do Norte deixou uma lição política dura para o campo lulista. A única possibilidade real de vitória de Rogério Marinho passava pela fragmentação das forças alinhadas ao lulismo, e foi exatamente isso que ocorreu. As candidaturas de Carlos Eduardo e Rafael Motta dividiram um eleitorado que, somado, possuía densidade suficiente para impedir a ascensão do ex-ministro bolsonarista ao Senado. O resultado foi uma alteração profunda da correlação de forças no estado. Mesmo com toda a máquina política e institucional mobilizada — emendas, influência federal, articulação de elites econômicas e estrutura política construída nacionalmente — Rogério dificilmente teria vencido sem a fragmentação do adversário. O erro estratégico do campo governista produziu consequências concretas e duradouras.
A partir daquela vitória, Rogério Marinho consolidou não apenas espaço institucional em Brasília, mas também capacidade ampliada de influência política e midiática no Rio Grande do Norte. Não é segredo nos bastidores políticos que o senador possui forte articulação junto aos principais grupos econômicos e veículos de comunicação do estado, utilizando sua capacidade de mobilização de recursos e alianças para organizar uma oposição permanente ao governo estadual. Em certo sentido, o próprio campo governista ajudou a construir o principal adversário que enfrentaria entre 2022 e 2026. Quer por omissão, quer por incapacidade de coordenação estratégica, permitiu-se que surgisse um senador com musculatura política suficiente para liderar a oposição potiguar em âmbito nacional. O cenário alternativo existia: Rogério poderia simplesmente não ter chegado ao Senado.
Agora, em 2026, sinais semelhantes começam novamente a aparecer. Enquanto setores do campo progressista produzem disputas internas e enfrentamentos sem base factual sólida dentro do próprio espectro político, a direita organiza seu tabuleiro com maior pragmatismo. Styvenson Valentim e Cel Hélio já aparecem em movimentação política e articulação de espaços, enquanto o lulismo volta a correr o risco de fragmentar candidaturas estratégicas. A consequência potencial é ainda mais grave do que em 2022: o Rio Grande do Norte poderá terminar enfrentando não apenas uma oposição forte, mas uma bancada de três senadores alinhados à direita e ao bolsonarismo. A pergunta que permanece é objetiva: vale a pena repetir um erro cujas consequências o próprio estado já conhece?