• Redação
  • 17/05/2026

Flávio Bolsonaro ameaça fazer do Brasil um grande Governo do Rio de Janeiro

Ficha corrida da família Bolsonaro tem paralelos com degradações do estado

Operação da PF mostrou relações de bolsonaristas com crimes da Refit

Por Vinicius Torres Freire, Para Folha

A decadência do Governo do Rio de Janeiro tem quase a idade de Flávio Bolsonaro ou por aí, 45 anos. "Governo", aqui, inclui Executivo, Legislativo e Judiciário. Mas o comando do Estado vive outra onda aguda de caos e corrupção desde a chegada do bolsonarismo ao poder, em 2018, com a eleição do depois impichado Wilson Witzel, que legou ao monturo da política o seu vice, Claudio Castro, reeleito em 2022. O PL, dos Bolsonaro, e comparsas dominam a política local.

Além disso, a ficha corrida dos Bolsonaro tem paralelos com a governança local: associação com milícias, rachadinha de fundos públicos, funcionários fantasmas, nomeação de perversos e lunáticos para altos cargos, tolerância com o terror do Estado (como o das polícias) etc. Se Flávio Bolsonaro for eleito, o Brasil corre o risco de se tornar um grande Governo do Rio de Janeiro.

Nem de longe o Estado do Rio é o único corrupto ou associado ao crime, de administração podre ou finanças arruinadas, de Assembleia Legislativa repulsiva ou com desembargadores negociantes de sentenças. Em São Paulo, o PCC começa a tomar conta de cidades menores, entre outras infiltrações executivas e legislativas. Mas é o Governo do Rio de Janeiro que tira 10 nos quesitos principais: inépcia gerencial, canalhice de governantes, corrupção sistemática, bancarrota e associação regular ao crime organizado.

A desgraça corrente do Rio ficou outra vez explícita na operação Sem Refino, da Polícia Federal, na semana passada. A PF mais e mais esclarece a atuação da (ex)-refinaria Refit, de Ricardo Magro, sonegadora contumaz de impostos, fraudadora de combustíveis e corruptora de executivos, legislativos e judiciários no Rio, comprados para facilitar a roubança gorda de Magro.

Ex-governador do Rio até outro dia, Claudio Castro, é investigado nesse rolo. Inelegível por abuso de poder político e econômico, ainda assim quer ser candidato a senador e compor a bancada bolsonarista, do PL. Entre os alvos da PF está um ex-sub de Ciro Nogueira no ministério da Casa Civil. Nogueira foi ministro e mandão no governo de Jair Bolsonaro. "Amigo de vida" de Daniel Vorcaro, era candidato a vice de Flávio Bolsonaro, "irmão" de Vorcaro.

A ruína fiscal do Estado fluminense começou faz mais de 20 anos, ficando escandalosamente evidente no colapso de 2016. O governo, então sem dinheiro para pagar contas básicas, decretou calamidade pública na administração financeira. A baixa do preço do petróleo, de que vive o governo estadual, deixou evidente a baderna fiscal, tal como ocorria em petroestados de petropaíses primitivos e corruptos.

A história da ruína corrupta é ainda mais difícil de demarcar, embora fosse faz muito tempo notório o convívio social, alegre e carnavalesco de elite e autoridades com bicheiros, por exemplo, gângsters violentos. Essa degradação comprida e variada resultou enfim em associação de gente e instituições do governo ao tráfico, a facções e milícias, com envolvimento de secretários de Segurança, delegados-chefes e, mais recentemente, do comando da Assembleia Legislativa.

Dos governadores eleitos desde 1983, apenas dois não foram presos, impichados ou tornados inelegíveis (Leonel Brizola e Marcelo Allencar, eleitos antes de 1995). A partir de 1994, começam operações ou intervenções federais na segurança do Rio. O governo estadual do Rio é o mais endividado do país. Desde 2018, está sob administração bolsonarista.