• Redação
  • 02/07/2026

Esposa de Moraes enviou minuta de contrato a Daniel Vorcaro, aponta PF

Correio Braziliense - Diálogos obtidos pela Polícia Federal (PF) revelam que a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou diretamente ao WhatsApp de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, uma minuta de contrato de honorários advocatícios no valor total de R$ 129 milhões. O contrato previa a defesa da instituição perante o Banco Central, a Receita Federal e o Congresso Nacional.

As mensagens, datadas de janeiro de 2024, mostram Viviane enviando o documento no dia 17 e o banqueiro respondendo cinco dias depois para alinhar a assinatura física ou eletrônica. As informações foram divulgadas inicialmente pelo jornal Estadão e confirmadas pelo Correio através de fontes na PF.

O acordo, firmado originalmente em janeiro de 2023, estabelecia um pagamento mensal de R$ 3,6 milhões ao escritório Barci de Moraes Associados, onde também trabalham os dois filhos do ministro, por um período de três anos.

Segundo dados da Receita Federal, a banca já recebeu efetivamente R$ 80,2 milhões entre os anos de 2024 e 2025. Atualmente, os repasses foram interrompidos devido à liquidação do Banco Master. Caso o contrato fosse cumprido integralmente até o início de 2027, o montante total chegaria aos R$ 129 milhões previstos.

O escritório Barci de Moraes apresentou um balanço das atividades realizadas durante a vigência do contrato, que inclui a realização de 94 reuniões de trabalho, sendo 79 presenciais na sede do banco, 13 com a presidência e duas por videoconferência.

Além disso, a produção jurídica do período contabiliza a elaboração de 36 pareceres e opiniões legais abrangendo áreas como direito previdenciário, contratual, regulatório, trabalhista, proteção de dados e crédito. Procurado pela reportagem, o escritório informou que não comentará o caso.

Contexto

A prova desses diálogos surgiu a partir da extração de dados do celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela PF em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. Atualmente, esse material integra um inquérito que apura o vazamento de informações sigilosas sobre a família do ministro Alexandre de Moraes, tendo como um dos alvos o perito João Cláudio Nabas, que sofreu busca e apreensão em maio.

A Receita Federal sinalizou que o valor dos honorários chamou a atenção por superar a presença da advogada em processos judiciais públicos envolvendo o banco na época.