• Redação
  • 26/10/2026

Empreendedorismo, diálogo com evangélicos e segurança pública: os novos desafios de Lula sem abandonar os programas sociais

O resultado das eleições de 2026 coloca três temas no centro do debate sobre o próximo governo Lula: empreendedorismo, diálogo com os evangélicos e segurança pública. A relação com a classe C merece atenção especial. A hipótese de que parte desse segmento valoriza cada vez mais a possibilidade de abrir o próprio negócio, em vez de depender exclusivamente do emprego formal, precisa ser examinada à luz das pesquisas. Trata-se de uma população heterogênea, que reúne trabalhadores assalariados, autônomos e pequenos empreendedores. O desafio de política pública é conciliar crédito, qualificação, simplificação tributária e proteção social, reconhecendo diferentes projetos de ascensão econômica.

O segundo tema é a relação com os evangélicos. A expansão desse segmento religioso tornou mais relevante o debate sobre sua participação na vida pública e sua interlocução com o Estado. Um diálogo institucional efetivo envolve ouvir lideranças e fiéis, reconhecer a diversidade interna das igrejas e respeitar a liberdade religiosa. A aproximação com comunidades religiosas também levanta questões sobre os limites entre representação política, atuação de lideranças e laicidade do Estado. O desafio é construir canais permanentes de diálogo que não reduzam os evangélicos a um bloco eleitoral homogêneo.

A terceira questão é a segurança pública, uma das áreas em que a população cobra resultados concretos. O governo federal já dispõe de instrumentos de coordenação, financiamento e integração das forças policiais, mas enfrenta dificuldades de implementação. Em julho de 2026, o Tribunal de Contas da União apontou a ausência de avaliações sistemáticas da execução do Plano Nacional de Segurança Pública. O enfrentamento das facções, a investigação criminal, a redução dos homicídios e a proteção das comunidades exigem metas verificáveis e cooperação entre União, estados e municípios. 

Por fim, essas três agendas se somam à continuidade dos programas sociais, e não necessariamente os substituem. O governo Lula já possui iniciativas voltadas à inclusão produtiva, como o Acredita no Primeiro Passo, que combina qualificação, microcrédito e apoio ao empreendedorismo para famílias do Cadastro Único. O debate para o próximo mandato envolve ampliar oportunidades econômicas sem reduzir a proteção dos mais pobres, preservar políticas de transferência de renda e apresentar resultados nas áreas de maior preocupação social. A experiência política de Lula será colocada diante dessas demandas, cuja resposta dependerá tanto das decisões do governo quanto de sua capacidade de execução.