Bolsonaristas tentaram usar Allyson para ajudar Flávio, mas acabaram dando a Cadu o discurso para derrotar Allyson
A tentativa de políticos bolsonaristas de utilizar a campanha de Allyson Bezerra para ampliar a votação de Flávio Bolsonaro no Rio Grande do Norte pode ter produzido o efeito contrário na disputa pelo Governo do Estado. As manifestações públicas de apoio de Paulinho Freire, Sargento Gonçalves e Camila Araújo, acompanhadas de imagens que aproximavam Allyson do bolsonarismo, forneceram a Cadu de Lula justamente o material político de que precisava. O caso mais emblemático foi o do General Girão, que chegou a levar bandeiras com o número 44, de Allyson, para um ato de invasão à UFRN. A estratégia de aproximação entre as duas candidaturas acabou enfraquecendo o esforço de Allyson para preservar sua imagem de independência na disputa presidencial.
Cadu soube explorar politicamente essas imagens. Sua campanha precisava convencer uma parcela dos eleitores de Lula que ainda votava em Allyson de que havia uma contradição nessa escolha. As manifestações dos aliados bolsonaristas facilitaram a construção dessa narrativa. Em vez de depender apenas de acusações e discursos, Cadu passou a contar com registros públicos produzidos pelos próprios adversários. A associação entre Allyson e o bolsonarismo ganhou materialidade, permitindo ao petista disputar com mais força o eleitorado lulista que permanecia com seu concorrente.
O episódio revela um erro estratégico dos bolsonaristas potiguares. Na tentativa de aproveitar a popularidade de Allyson para fortalecer Flávio Bolsonaro, terminaram oferecendo munição à campanha adversária. Cadu conseguiu transformar essas manifestações em instrumentos de mobilização e recuperação de votos entre eleitores de Lula. Não é possível quantificar exatamente o impacto isolado dessas imagens no resultado, mas a interpretação política é clara: os bolsonaristas queriam usar Allyson para ajudar Flávio e acabaram ajudando Cadu a derrotar Allyson.