CORTINA DE FUMAÇA - Vereador aliado de Paulinho Freire tenta deslocar debate da engorda de Ponta Negra para performance artística na UFRN
O vereador Matheus Faustino, hoje alinhado politicamente ao grupo do prefeito Paulinho Freire no União Brasil e já distante do MBL, utilizou uma performance artística realizada dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte para impulsionar uma nova (falsa) polêmica nas redes sociais. A apresentação, realizada em espaço fechado, com classificação indicativa explícita para maiores de 18 anos e dentro das condições próprias da produção artística, acabou sendo transformada em instrumento de disputa política. Trata-se de uma tentativa deliberada de deslocar o foco do debate público em Natal.
O pano de fundo desse movimento é o desgaste crescente em torno da engorda de Ponta Negra. A obra vem sendo alvo de sucessivas críticas técnicas e institucionais, envolvendo apontamentos do Ministério Público Federal, do Tribunal de Contas da União, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e até de pesquisadores da Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura, contratada pela própria prefeitura. Os questionamentos passam por drenagem, execução hidráulica, riscos ambientais, alterações no projeto e problemas estruturais que seguem repercutindo politicamente e administrativamente.
Nesse contexto, a reação de Matheus Faustino é interpretada por opositores como uma clássica “cortina de fumaça”: transformar um ato artístico — protegido por critérios de classificação e liberdade de expressão — em escândalo moral, enquanto os problemas concretos da cidade saem do centro da discussão. A crítica feita ao vereador é que o foco deixa de ser os laudos, os alagamentos, os questionamentos técnicos e as cobranças institucionais sobre a engorda de Ponta Negra, para se concentrar em um “não assunto” capaz de mobilizar guerra cultural e blindar politicamente a gestão municipal.