E COM APOIO DA MÍDIA - Prefeitura usa a falsa expressão “obra complementar” para tentar esconder que intervenção de R$ 21 milhões confirma alertas de TCU, MPF, MIDR e FUNPEC/UFRN sobre a engorda
Ao anunciar cerca de R$ 21 milhões em novas intervenções na região da engorda de Ponta Negra, a gestão do prefeito Paulinho Freire termina, na prática, reforçando todas as críticas feitas anteriormente pelos órgãos de controle e fiscalização contra a obra. Isso porque o projeto original da engorda não previa “obras complementares” dessa magnitude. Se agora a Prefeitura admite a necessidade de novas estruturas de drenagem e contenção para tentar resolver problemas já visíveis após chuvas e alagamentos, o que está sendo reconhecido implicitamente é que havia falhas importantes no planejamento, execução ou dimensionamento inicial. As críticas já haviam sido apontadas pelo Tribunal de Contas da União, pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, pelo Ministério Público Federal e até por pesquisadores da Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura, contratada pela própria Prefeitura para acompanhar a obra.
O discurso oficial tenta tratar as novas intervenções como mera continuidade administrativa ou “ajustes naturais”, mas a própria cronologia da obra contradiz essa narrativa. A engorda já foi apresentada diversas vezes como concluída e inaugurada, tanto pelo ex-prefeito Álvaro Dias quanto pela atual gestão. Ainda assim, após sucessivas denúncias, laudos negativos e repercussão pública dos alagamentos, surge agora um novo pacote milionário para corrigir problemas que oficialmente não deveriam existir em uma obra já entregue. Para críticos da gestão, a tentativa de chamar isso de “obra complementar” funciona mais como uma estratégia de linguagem para suavizar um reconhecimento político e técnico de que os alertas feitos pelos órgãos de controle estavam corretos desde o início.