Como a CPMI do Master virou teatro político: Styvenson, Rogério e Flávio Bolsonaro gritam em público enquanto enterram a Comissão nos bastidores
A crise envolvendo o Banco Master virou, para setores do bolsonarismo, mais um instrumento de guerra narrativa do que propriamente uma tentativa real de investigação profunda. Em público, figuras como o senador Rogério Marinho, o senador Styvenson Valentim e o senador Flávio Bolsonaro passaram a defender a CPMI do Master como símbolo de combate ao sistema financeiro e de suposta moralização política. O discurso, porém, entra em choque direto com a prática política adotada nos bastidores: os mesmos grupos que falam em aprofundar investigações assinaram requerimento para priorizar a votação do PL da dosimetria, movimento que retirou a CPMI da pauta e esvaziou seu potencial político. O próprio Canal Meio destacou essa contradição ao relatar que, após ataques públicos à bancada do RN, Styvenson assinou junto com Rogério um acordo que, na prática, ajudou a enterrar a comissão. O nome de Flávio Bolsonaro também consta no requerimento.
O episódio revela um padrão cada vez mais recorrente na extrema direita brasileira: transformar crises reais em peças de mobilização política, ainda que os próprios atores envolvidos trabalhem nos bastidores para neutralizar os efeitos concretos dessas mesmas pautas. A CPMI servia bem como discurso de palanque, especialmente num momento em que o bolsonarismo enfrenta desgaste político, denúncias e dificuldades de reorganização nacional. Mas, quando chegou a hora de escolher entre o embate performático e a conveniência política do Centrão, prevaleceu a segunda opção. O resultado é um cenário em que o discurso público fala em “investigar até o fim”, enquanto a prática parlamentar atua para empurrar o tema para fora do foco. Não se trata mais de contradição ocasional, mas de um diversionismo político estruturado: cria-se a aparência de enfrentamento para alimentar a base militante, ao mesmo tempo em que se esvazia qualquer consequência concreta nos corredores do Congresso.
Veja o requerimento assinado pelos três senadores e publicado pelo Canal Meio.
