• Redação
  • 18/08/2026

Centrão avalia peso do Congresso em distância de Flávio e pontes com Lula

Do Metrópoles - O movimento de partidos do Centrão para manter distância formal da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), ao mesmo tempo que preserva relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passa por uma conta que não termina nas eleições. A composição do próximo Congresso também pode determinar quanto poder essas legendas terão para negociar com quem assumir a Presidência em 2027.

União Brasil e PP, reunidos na União Progressista, decidiram pela neutralidade, assim como Republicanos e MDB. No Republicanos, foram 17 votos pela neutralidade, nove por Flávio e apenas um por Lula.

Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, afirmou na última semana que o Centrão está hoje com Lula. Ciro Nogueira (PP-PI), por outro lado, declarou voto pessoal em Flávio, apesar de comandar um partido que preferiu não integrar a chapa do senador.

A posição não significa, necessariamente, migração ideológica para o lado do petista. Levantamento do Metrópoles mostrou que a União Progressista, embora neutra nacionalmente, está coligada ao PL em 10 estados e ao PT ou à Federação Brasil da Esperança em quatro.

Antes mesmo das convenções, a federação já trabalhava com a estratégia de concentrar recursos nas eleições estaduais e no Congresso e manter liberdade para negociar com o presidente eleito.

A experiência de Lula em 2023

Um eventual novo mandato de Lula ajuda a ilustrar por que essa composição interessa ao Centrão. O petista voltou ao Planalto em 2023 diante de um Congresso no qual não dispunha de maioria própria e enfrentou dificuldades para consolidar base de apoio estável. O PL havia saído das urnas de 2022 como a maior bancada da Câmara.

O exemplo mais emblemático se deu ainda no primeiro semestre de 2023, com a medida provisória que reorganizou a Esplanada dos Ministérios. O texto só foi aprovado pelo Congresso no último dia de vigência da MP, depois de semanas de impasse entre o Planalto e a Câmara.

Se não fosse votada naquele prazo, a medida perderia validade e, na prática, prejudicaria a estrutura de 37 ministérios montada por Lula no início do mandato.

A votação expôs a fragilidade da base governista naquele início de mandato. Para evitar que a MP caducasse, Lula precisou negociar com o então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e com partidos do Centrão.

Ainda assim, o governo teve de aceitar mudanças importantes: o Congresso retirou atribuições dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas, entre outras alterações. O Senado aprovou o texto já no limite do prazo, por 51 votos a 19.

Meses depois, a negociação chegou formalmente à Esplanada. Celso Sabino, do União Brasil, assumiu o Turismo; André Fufuca, do PP, foi para o Esporte; e Silvio Costa Filho, do Republicanos, passou a comandar Portos e Aeroportos.

As mudanças foram feitas em tentativa explícita de ampliar a governabilidade e aproximar do governo partidos ligados ao grupo político de Lira.

O caso de Lula ajuda a exemplificar que, quanto menos bancada própria tiver o presidente, mais importantes se tornam os partidos necessários para completar maioria. Isso amplia a capacidade dessas siglas de negociar não apenas ministérios, mas também espaço em órgãos federais, condução de pautas, relatorias e posições de influência no Congresso.