Caso Master: irmã de Sicário ameaçou revelar arquivos capazes de 'acabar com a família' de Vorcaro, mostra PF
Redação
16/06/2026
Caso Master: irmã de Sicário ameaçou revelar arquivos capazes de 'acabar com a família' de Vorcaro, mostra PF
Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário", ameaçou revelar arquivos capazes de "acabar com a família" do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, segundo documentos da Polícia Federal (PF) obtidos pelo blog. De acordo com a investigação, integrantes da organização criminosa chefiada por Vorcaro atuaram para tentar comprar o silêncio dela.
O documento foi produzido pelos investigadores e enviado ao ministro relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Nesta terça-feira (16), o ministro retirou o sigilo do documento.
Sicário foi preso em março deste ano, durante a 3ª fase da Compliance Zero. Ele foi apontado nas investigações como braço direito de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, ele tinha papel central na organização criminosa, atuando em monitoramento de alvos, extração ilegal de dados e ações de intimidação. Ele morreu após a prisão, e os laudos da perícia apontaram suicídio.
➡️ "Sicário" é um termo usado para designar um matador de aluguel. Luiz Phillipi é apontado pela polícia como um operador de perfil violento e ligado a fraudes financeiras.
Segundo a PF, após a prisão e morte de Luiz Phillipi Sicário Mourão, Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como "Manolo", braço direito do pai de Daniel Vorcaro, Henrique, atuou de maneira ativa para viabilizar recursos financeiros para a família Mourão, que estava com dificuldades financeiras desde a prisão do Sicário.
Nas mensagens interceptadas pela PF, Joana cobra interlocutores de Vorcaro por suas dificuldades financeiras. Em uma delas, relata que, nos dias seguintes, teria de arcar com uma parcela de R$ 40 mil de um financiamento, além da prestação da casa onde mora. "Estou desesperada já", afirmou.
Após esse contato, Manolo passa a tratar do assunto com Keysom Moreira, primo de Joana. Em uma das conversas, Keysom diz: "Vou na mãe dela, que esta menina é descontrolada".
A PF também destaca a relação entre Vorcaro e Manolo, apontado como integrante da chamada "Turma" — grupo responsável por ameaças, coerções e levantamentos clandestinos, com participação de operadores ligados ao jogo do bicho. Segundo os investigadores, Manolo liderava esse braço da organização e atuava como aliado próximo do ex-banqueiro.
A investigação afirma que "Manolo" era usado como "instrumento de pressão física e moral" a favor dos interesses da família Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, sua reputação no meio da contravenção era explorada para conferir credibilidade às ameaças e intimidar as vítimas.
Diante das ameaças feitas por Joana, "Manolo" sugeriu um encontro presencial, marcado para 28 de abril de 2026. De acordo com os investigadores, Joana estava acompanhada da mãe, Denise. A conclusão se baseia em mensagens enviadas por "Manolo" a Henrique Vorcaro, nas quais ele relata estar reunido com a "mãe" e informa quando deixa o local.
Em uma das mensagens, "Manolo" escreveu ao pai de Vorcaro: "Henrique, boa noite. Estamos conversando com a mãe aqui. Vamos passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo para o nome dela, mãe, para resolver a questão".
A PF destaca ainda que a reunião terminou por volta de 0h38. Nesse horário, "Manolo" enviou nova mensagem a Henrique Vorcaro: "Saí agora, amanhã conversamos".
Mesmo após o encontro com "Manolo", Joana continuou, segundo a PF, ameaçando divulgar documentos que comprometeriam a família Vorcaro.
De acordo com a investigação, em 7 de maio de 2026, Joana enviou a "Manolo" uma mensagem com um link de uma publicação no Instagram sobre a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Na sequência, ela afirmou que pretendia expor Henrique Vorcaro.
"Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho. No que depender de mim, HV será o próximo. Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família maldita!!!", escreveu Joana, em mensagem interceptada pela Polícia Federal.
Segundo os investigadores, a sigla "HV" é uma referência a Henrique Vorcaro.
Em 12 de maio de 2026, Joana enviou mais uma mensagem a "Manolo". Nela, perguntou sobre a formalização de um contrato: "Bom dia! Como vc está?! Tudo certo?! Que dia posso assinar o contrato, sabe se já está pronto?! Me liga qdo puder por favor?"
Segundo a Polícia Federal, a mensagem faz referência à participação de Joana no quadro societário da JM Consultoria e Participações Imobiliária Ltda. Ao consultar os registros da Receita Federal, os investigadores verificaram que Joana Machado de Moraes Mourão figura como sócia-administradora da empresa, cujo capital social é de R$ 1 milhão.
Até o momento, a PF não confirmou se o contrato mencionado na conversa chegou a ser assinado. Para os investigadores, porém, as movimentações podem indicar uma possível prática de lavagem de dinheiro. A suspeita é que recursos obtidos por Sicário como contrapartida por crimes que teria cometido a mando de Daniel Vorcaro estivessem sendo repassados à mãe e à irmã dele.
Procurada pela reportagem, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou não ter tido acesso ao relatório. Ressaltou, no entanto, que eventual cobrança se relaciona a créditos aos quais Felipe Mourão teria direito, em função de relações comerciais já esclarecidas ao relator do inquérito.
Sicário morreu após prisão
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o 'Sicário', quando foi preso em outra investigação em MG — Foto: Reprodução
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, era apontado pela Polícia Federal como braço direito de Vorcaro. Ele foi preso em março de 2026 durante a Operação Compliance Zero.
Ele foi socorrido e levado a um hospital, mas teve a morte cerebral confirmada dias depois.
Segundo os investigadores, Sicário desempenhava papel central na organização criminosa, atuando no monitoramento de alvos, na obtenção ilegal de dados e em ações de intimidação. Também acumulava antecedentes por crimes como estelionato, receptação, uso de documento falso e ameaça.
Pai de Vorcaro foi preso
Deflagrada em 14 de maio de 2026, a sexta fase da Operação Compliance Zero teve como foco o suposto uso da máquina pública para obtenção ilegal de informações.
Entre os presos estava Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, ele é suspeito de coordenar ações de intimidação atribuídas aos grupos conhecidos como "A Turma" e "Os Meninos".
A operação também resultou na prisão do policial federal Anderson Wander da Silva Lima.
De acordo com os investigadores, o agente acessava bancos de dados sigilosos e repassava informações sobre passaportes, viagens internacionais e movimentações migratórias de pessoas monitoradas pela organização criminosa.
A PF afirma que esses dados eram utilizados para perseguir adversários e proteger interesses financeiros do grupo.
As apurações também apontam que houve tentativas de destruição de provas após fases anteriores da operação.