Cabo Deyvison tenta transformar derrota em projeto para 2028 em Mossoró, mas PT cometerá erro se embarcar e pode apostar em Larissa Rosado
Depois de circular pela extrema direita, integrar o PL e atacar duramente o governo Fátima Bezerra durante a campanha, Cabo Deyvison tenta agora transformar sua derrota eleitoral em capital político para 2028 em Mossoró. O ex-vereador obteve uma excelente votação para deputado federal, impulsionada também pela comoção provocada pelo grave atentado que sofreu e pelo colete que passou a utilizar. É preciso, porém, lembrar que Deyvison errou ao tentar enfrentar facções criminosas de peito aberto, com provocações públicas, sem integrar uma força de segurança responsável por esse enfrentamento. Sua postura imprudente contribuiu para uma escalada de violência com consequências fatais que poderiam ter sido evitadas. Agora, tenta se apresentar como alternativa de oposição à Prefeitura de Mossoró em decorrência da derrota de Allyson ao governo e vitória de Cadu.
O governismo cometerá um erro estratégico se embarcar nessa operação. Além das contradições políticas evidentes, fortalecer Cabo Deyvison significa alimentar um campo que poderá servir de sustentação à oposição ao governador eleito Cadu Xavier, especialmente ao projeto de Styvenson Valentim para 2030. Não faz sentido o PT ajudar a construir uma liderança que passou a campanha atacando o próprio partido e o governo Fátima. Seria trocar um projeto político de longo prazo por uma aliança circunstancial, entregando protagonismo a alguém que não demonstrou compromisso com o campo governista.
O PT precisa compreender que Mossoró exige uma estratégia própria e muito mais ambiciosa. A boa votação de Lula na cidade não pode ser confundida com força eleitoral do PT local. Foi Lula quem demonstrou capacidade de mobilização, apesar de anos de negligência da esquerda na construção política do município. A principal líder do PT na cidade, a deputada Isolda, não fez oposição efetiva ao grupo político local que controla a prefeitura. O desafio agora é recuperar a presença cotidiana, reorganizar as bases, ampliar o diálogo com a sociedade mossoroense e transformar o capital eleitoral de Lula em força política municipal. Mossoró é grande demais para continuar sendo tratada como território secundário. Em vez de importar lideranças da extrema direita por conveniência eleitoral, o PT precisa construir uma alternativa competitiva, com identidade própria e capacidade real de disputar a cidade em 2028.
O FATOR LARISSA
Nesse cenário, Larissa Rosado surge como uma alternativa muito mais coerente para representar o governismo em Mossoró em 2028. Eleita vice-governadora na chapa de Cadu Xavier, Larissa reúne tradição política, experiência administrativa, conhecimento da cidade e vínculos com o campo governista. Sua presença na chapa vitoriosa também oferece condições para reconstruir pontes e organizar uma frente política competitiva no município. Em vez de fortalecer Cabo Deyvison, que passou a campanha atacando o PT e o governo Fátima, o governismo poderia investir na recuperação do protagonismo de Larissa, articulando sua liderança à força eleitoral de Lula. Seria uma estratégia mais consistente para disputar Mossoró em 2028 e fortalecer a base de Cadu para os desafios seguintes.