• Redação
  • 05/11/2026

Brasil vê queda de Peña como derrota do alinhamento aos EUA

JAMIL CHADE - ICL - A queda do presidente do Paraguai, Santiago Peña, está sendo avaliada no governo brasileiro como mais uma derrota de autoridades que apostaram no alinhamento político aos EUA.

Ao governo do Brasil não interessa uma instabilidade no país vizinho e o Palácio do Planalto não tem ilusão sobre a possibilidade de que forças de esquerda possam governar. Uma das preocupações é de que a crise possa ganhar proporções sociais, com a quebra de um banco que teria como clientes praticamente metade do país.

A urgência, portanto, é a de evitar um caos político e o Brasil deve fazer um apelo nas próximas horas para que a calma seja restabelecida.

Ainda assim, fontes em Brasília destacam como o governo em Assunção havia adotado a “receita completa” da submissão aos interesses americanos.

Nos últimos anos, Peña autorizou um acordo militar com Trump, inclusive com a possibilidade de criar uma base estrangeira no país. Pactos foram assinados para o uso de energia de Itaipú por empresas americanas estabelecidas no Paraguai, além de acordos de investimentos e exploração de recursos naturais.

O Paraguai ainda se apresentou como candidato para chefiar a OEA, reconhece Taiwan e se alinhou às votações dos EUA na ONU.

Apesar de uma possível mudança ideológica no Paraguai, o Brasil não aposta ainda numa onda progressista na região. Para o governo, a disputa com a extrema direita é de longo prazo, tanto no Brasil como na região.

Também é notório que governos de extrema direita na região vêm sofrendo abalos de popularidade e turbulência.

Parte da estratégia para um novo mandato de Lula em 2027 é ainda retomar projetos de integração que permitam que direita e esquerda tenham interesse.

O que Brasília prevê é convencer os demais governos da região a embarcar em um projeto de “integração possível” e baseada no pragmatismo, mesmo com ideologias profundamente divergentes.

Um dos temas a ser explorado seria o de cooperação em segurança pública na região. Lula ainda deve intensificar por encontros com chefes de estado da América do Sul, na esperança de dar sinais claros de que quer uma retomada do processo de aproximação.

Não se descarta sequer um convite para autoridades venezuelanas e visitas bilaterais.