• Redação
  • 05/11/2026

PT precisa ir além das pautas identitárias e abandonar o estilo Styvenson de esquerda para disputar Mossoró em 2028

A defesa das identidades e dos direitos das minorias é importante, mas não é suficiente para sustentar um projeto de governo municipal. Para disputar a Prefeitura de Mossoró em 2028, o PT precisaria ampliar sua agenda e dialogar também sobre os problemas concretos da cidade, como buracos nas ruas, infraestrutura, saúde e qualidade dos serviços públicos. A atuação centrada na afirmação de identidades pode mobilizar segmentos do eleitorado em disputas proporcionais, mas uma eleição majoritária exige um projeto mais abrangente, capaz de responder às demandas cotidianas da população. O crescimento político de Cabo Deyvison merece ser analisado também a partir desse espaço deixado no debate municipal.

Há ainda um segundo desafio: a capacidade de diálogo com a classe política. O PT precisaria abandonar aquilo que chamo de um certo "estilo Styvenson de esquerda", caracterizado pela confrontação permanente e pela dificuldade de reconhecer a legitimidade de aliados e adversários. Essa postura pode render visibilidade e identificação eleitoral em disputas proporcionais, mas uma candidatura majoritária exige articulação, respeito e construção de alianças. Governar uma cidade pressupõe negociar com vereadores, dialogar com diferentes setores e construir consensos. A questão é compreender que representar uma militância e apresentar um projeto para toda a cidade são tarefas políticas distintas.