O MITO DO ETERNO RETORNO - O sempre repetido endosso dos falsos moderados ao golpismo: Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho e Véio da Havan
O golpismo não se sustenta apenas pela ação de seus protagonistas. Ele também depende da complacência de setores da política e da sociedade dispostos a normalizar ataques às instituições democráticas. A trajetória política da família Bolsonaro evidencia como esse processo encontra respaldo em aliados influentes, entre eles o senador Rogério Marinho e o empresário Luciano Hang, conhecido como Véio da Havan. O problema não está apenas em quem questiona reiteradamente a legitimidade das eleições, mas também naqueles que oferecem sustentação política e social a esse discurso, contribuindo para sua permanência no debate público.
Nesta quinta-feira (5), Flávio Bolsonaro voltou a colocar sob suspeita a eleição presidencial, mesmo sem apresentar provas de fraude. É uma estratégia que, na avaliação crítica aqui apresentada, busca alimentar a desconfiança de seus eleitores no sistema eleitoral. Na outra ponta, Rogério Marinho saiu em defesa do aliado, classificando suas acusações anteriores como um desabafo, embora tenha reconhecido publicamente que não existem provas de fraude. Essa contradição é central: reconhecer a ausência de evidências e, ao mesmo tempo, oferecer respaldo político a quem insiste em deslegitimar as urnas. É justamente essa tolerância que permite a sobrevivência de discursos de contestação da democracia.