• Redação
  • 13/05/2026

Ataques de Rogério Marinho ao chapéu usado por Allyson expõem desconexão com a realidade do RN e podem obrigar Álvaro Dias a escondê-lo na campanha

A recente declaração do senador Rogério Marinho contra o uso do chapéu de vaqueiro por Allyson Bezerra gerou forte repercussão política no Rio Grande do Norte. Ao tentar desqualificar a imagem construída por Allyson e ironizar o acessório utilizado pelo prefeito mossoroense, Rogério acabou atingindo um símbolo profundamente ligado ao sertão e ao homem do campo potiguar. A reação veio rapidamente. O pré-candidato ao governo Cadu Xavier criticou o ataque ao símbolo cultural nordestino, embora também tenha apontado o que considera um uso populista da imagem por Allyson. O próprio Allyson respondeu lamentando a postura do senador e afirmando que o chapéu representa identidade cultural e respeito às raízes do povo sertanejo.

O episódio reforça um problema político que pode crescer dentro do grupo liderado por Rogério Marinho: a elevada capacidade de transferência de desgaste para a candidatura de Álvaro Dias. Rogério carrega consigo pautas altamente polêmicas no imaginário popular, especialmente por ter sido um dos principais articuladores da reforma trabalhista e por continuar defendendo medidas econômicas vistas como impopulares por parte significativa da população. O ataque ao chapéu acabou sendo interpretado por muitos como gratuito e desconectado da sensibilidade cultural do interior do estado, ampliando a percepção de distanciamento entre o senador e símbolos tradicionais do RN.

Diante desse cenário, fica claro que Álvaro Dias terá dificuldade para explorar politicamente a proximidade com Rogério sem também absorver os desgastes acumulados pelo senador. O ex-ministro já defendeu ideias que enfrentaram forte resistência popular, como privatizações e mudanças estruturais em áreas sensíveis da administração pública, e sua presença constante na campanha pode acabar reforçando associações negativas para o eleitorado mais popular e interiorano. Assim, o episódio do chapéu não se restringe a uma simples declaração infeliz: ele expõe um problema político mais amplo para o campo bolsonarista potiguar, que talvez precise equilibrar a liderança de Rogério com a necessidade de evitar que seu desgaste contamine a tentativa de viabilização eleitoral de Álvaro Dias.