Após aprovação simbólica entre todos os partidos, Lula percebe que ficou sozinho com o desgaste da “taxa das blusinhas” e recua de olho no impacto popular
A chamada “taxa das blusinhas” nasceu de uma pressão intensa do comércio varejista nacional, que há anos reclamava da concorrência dos produtos importados vendidos em plataformas estrangeiras com preços muito abaixo dos praticados no Brasil. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou abraçando essa demanda e a medida avançou no Congresso Nacional praticamente sem resistência, em votação simbólica e com apoio amplo de partidos de diferentes campos políticos. O problema é que, politicamente, o desgaste acabou ficando concentrado no Palácio do Planalto. Para grande parte da população, principalmente os consumidores de baixa renda e jovens acostumados a comprar em sites internacionais, a cobrança passou a ser associada diretamente ao governo Lula, independentemente de quem apoiou a medida no Legislativo.
Com a aproximação do ambiente eleitoral de 2026, o cálculo político mudou. O governo percebeu que não fazia sentido continuar arcando sozinho com o custo de uma medida impopular enquanto os benefícios políticos eram praticamente inexistentes. A oposição deverá explorar o recuo como uma manobra eleitoreira, mas o fato concreto é que a percepção popular tende a ser positiva. Para milhões de consumidores, o que vai pesar é a possibilidade de voltar a comprar produtos importados pagando menos. Na política, muitas vezes o simbolismo fala mais alto que a discussão técnica, e a derrubada da taxa tem potencial para funcionar como um gesto direto ao bolso do consumidor brasileiro.