Allyson promete construir 3ª ponte em Natal e anuncia ‘choque de gestão’ para garantir verba
Do AGORA RN
O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra afirmou nesta quinta-feira 25 que, se eleito, pretende construir uma terceira ponte sobre o Rio Potengi para ligar a Zona Norte ao restante de Natal. Em entrevista ao programa Contraponto, da rádio 96 FM, o ex-prefeito de Mossoró classificou a mobilidade da capital potiguar como um dos principais problemas urbanos do Estado e sustentou que a obra será viabilizada por meio de um amplo ajuste fiscal e administrativo, que, segundo ele, devolverá ao Governo a capacidade de investimento.
Ao apresentar a proposta, Allyson afirmou que pretende ser o primeiro governador, desde Wilma de Faria, a executar uma grande intervenção de mobilidade em Natal. A Ponte Newton Navarro, que deu uma nova ligação para a Zona Norte, foi inaugurada em 2007 durante a gestão de Wilma.

Ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra, pré-candidato ao Governo do Estado pelo União Brasil, na rádio 96 FM - Foto: YouTube / Reprodução
O pré-candidato argumentou que a situação da Zona Norte já chegou a um ponto crítico e advertiu que, sem investimentos estruturantes, a tendência é de agravamento dos congestionamentos.
“Natal vive uma crise de mobilidade, principalmente a Zona Norte, e que se nada for feito, vai ficar impossível de se viver”, declarou.
Como exemplo, citou a demora das obras da Avenida das Fronteiras, classificadas por ele como “uma obra interminável do Governo do Estado”, além dos congestionamentos registrados diariamente na Ponte Newton Navarro e nas principais vias de acesso à região.
Segundo Allyson, o Governo do Estado não pode se omitir diante dos problemas enfrentados pela capital, sobretudo porque importantes rodovias estaduais atravessam Natal.
“Nós vamos cuidar, sim, da mobilidade da cidade. O último governo a olhar para a capital do Estado, de forma a entregar uma obra de mobilidade importante, foi a ex-governadora Wilma Faria”, afirmou, ao lembrar a construção da Ponte Newton Navarro.
Na avaliação dele, a terceira ponte será indispensável para desafogar o trânsito e preparar Natal para as próximas décadas.
Ao defender a proposta, Allyson buscou reforçar sua experiência como gestor e engenheiro civil. Recordou obras executadas durante sua gestão em Mossoró, entre elas o Complexo Viário 15 de Março, ciclovias, alargamento de pontes, construção da maior ponte da história do município e intervenções em rodovias urbanas.
Segundo ele, esse histórico demonstra que a promessa é factível.
“Eu não estou falando de uma proposta irreal. Eu não estou falando de uma proposta distante. Eu estou falando enquanto gestor que entregou obra, começou, entregou, inaugurou, funcionando a obra”, afirmou.
Financiamento
Questionado sobre como pretende financiar uma obra de grande porte em um Estado que há anos enfrenta severas restrições fiscais, Allyson respondeu que a primeira medida de seu eventual governo será reorganizar completamente as finanças estaduais.
Para ele, o problema do Rio Grande do Norte não está na arrecadação, mas na forma como os recursos vêm sendo administrados.
“Primeira ação de governo que vai ser feita no Estado do Rio Grande do Norte é uma ação para reorganizar, organizar as finanças do Estado”, disse.
O pré-candidato sustentou que a arrecadação estadual cresce ano após ano e lembrou que o atual governo elevou a alíquota do ICMS de 18% para 20%. Apesar disso, afirmou que a administração estadual permanece financeiramente desorganizada.
Para embasar a crítica, citou avaliações de organismos especializados.
“A Secretaria do Tesouro Nacional coloca que a saúde financeira do Estado é nota C, ou seja, é a pior possível. A XP Investimentos fez um relatório recentemente e coloca o Rio Grande do Norte como o segundo pior do Brasil em qualidade fiscal. Do ponto de vista fiscal e financeiro, o Estado do Rio Grande do Norte está lá embaixo. Teve uma gestão pífia, uma gestão péssima do ponto de vista de administração financeira”, declarou.
Como solução, Allyson defendeu a adoção de um “choque de gestão”, acompanhado de um amplo processo de modernização administrativa e desburocratização da máquina pública.
Segundo ele, o objetivo é ampliar a arrecadação sem elevar impostos, destravando investimentos privados hoje represados por entraves burocráticos.
Entre os exemplos citados, afirmou que há aproximadamente R$ 200 milhões em receitas potenciais represadas em processos de licenciamento para exploração de petróleo e gás natural.
Segundo ele, empreendimentos ligados à mineração, parques eólicos, energia solar, hotéis e resorts também enfrentariam demora excessiva para obtenção de licenças ambientais.
“Nós vamos fazer um grande mutirão no início do governo para destravar o Estado. O Estado vai passar a arrecadar mais sem aumentar imposto, gerando desenvolvimento e gerando emprego”, afirmou, acrescentando que “a iniciativa privada é aquela que investe; o Estado tem que ser indutor do desenvolvimento”.
Ainda segundo o pré-candidato, o ajuste administrativo passará pela informatização dos processos internos do Governo, redução da burocracia e adoção de mecanismos tecnológicos que acelerem a tramitação de demandas nas secretarias estaduais.
Na avaliação dele, o Estado permanece excessivamente lento e pouco eficiente.
“É inadmissível que ainda hoje nós tenhamos um governo tão travado”, afirmou.
Para sustentar que a reorganização financeira é viável, Allyson voltou a recorrer ao exemplo de Mossoró.
Disse que assumiu a prefeitura, em 2021, encontrando o décimo terceiro salário atrasado, terceirizados com cerca de cinco meses sem receber, fornecedores sem pagamento, dívida previdenciária superior a R$ 230 milhões e classificação “C” na Capacidade de Pagamento (Capag).
Segundo ele, após renegociações de dívidas, reorganização administrativa e digitalização dos processos, o município passou a ostentar nota “A” na Capag, além de acumular cerca de R$ 240 milhões em caixa na previdência municipal.
“Eu já mostrei que é possível fazer boa gestão, com responsabilidade”, afirmou.
Em seguida, prometeu levar essa mesma experiência para o Governo do Estado.
“Vou colocar toda a minha experiência como gestor público e como engenheiro civil, organizando métodos, organizando processos e trazendo modernidade e tecnologia para dentro do Estado”, concluiu.