Allyson e Álvaro disputam a bandeira da mudança porque a polarização no RN hoje não é Lula x Bolsonaro, mas permanência x mudança
A eleição estadual no RN dificilmente pode ser reduzida a Lula x Bolsonaro. Além de serem disputas de naturezas diferentes, o próprio terreno potiguar historicamente produz uma vantagem expressiva do lulismo sobre o bolsonarismo, o que dificulta reproduzir no estado uma polarização presidencial equilibrada. Ao mesmo tempo, pesquisas recentes mostram um contraste importante: Lula mantém saldo positivo de aprovação no RN, enquanto a gestão Fátima Bezerra registra desaprovação majoritária.
É justamente dessa desaprovação que nasce uma clivagem potencialmente mais forte para a disputa estadual: permanência x mudança. E os movimentos de Álvaro Dias dizem mais do que sua própria retórica. Embora insista em projetar, e politicamente deseje, uma disputa polarizada com Cadu Xavier, Álvaro abandonou a ênfase do “Endireita RN”, afastou-se da estética bolsonarista e passou a buscar uma mensagem centrada em “mudar o que está aí”. O movimento sugere uma tentativa de deslocar a eleição da identidade ideológica para a avaliação do governo estadual.
O problema para Álvaro é que, nesse terreno, ele disputa a bandeira da mudança com Allyson Bezerra, que também procura manter distância da polarização presidencial e sustentar uma identidade estadual própria. Assim, Lula x Bolsonaro pode continuar mobilizando parcelas do eleitorado, mas a hipótese central para a eleição estadual é outra: se a desaprovação de Fátima transformar o pleito num julgamento sobre continuidade ou mudança, a batalha decisiva será por quem consegue encarnar melhor a alternativa ao atual governo. Claro, sempre imaginando que a desaprovação de Fátima pode se alterar com a campanha, trocando o vetor do sentimento do eleitor potiguar.