Allyson acerta ao colocar a terceira ponte no debate, mas falta responder: de onde virá o dinheiro?
A promessa de Allyson Bezerra de construir uma terceira ponte sobre o Potengi toca numa demanda concreta da Zona Norte de Natal. Hoje, as principais ligações com as demais regiões da capital são as pontes de Igapó e Newton Navarro, e documentos técnicos já registravam há anos tráfego intenso nas duas travessias, especialmente nos horários de pico. A Newton Navarro ampliou as alternativas de acesso, mas sua localização atende a uma dinâmica diferente da antiga Ponte de Igapó. Além disso, seus 55 metros de gabarito aéreo, erro de concepção histórico na confecção do equipamento, impõem limitações à entrada de embarcações de maior altura no Porto de Natal, problema reconhecido em documentos oficiais.
É nesse contexto que a terceira ponte encontra terreno político favorável. Allyson promete integrá-la a um complexo viário envolvendo as avenidas Itapetinga e das Fronteiras, criando uma nova conexão entre a Zona Norte e outras áreas da cidade. A ideia não surgiu nesta eleição: estudos federais anteriores já discutiam uma terceira travessia sobre o Potengi como alternativa para melhorar a mobilidade urbana. Portanto, mais do que uma promessa eleitoral isolada, a nova ponte dialoga com uma reivindicação antiga de uma região que enfrenta gargalos históricos de mobilidade.
O ponto ainda em aberto é a viabilidade. Allyson reconheceu no início de setembro que a proposta ainda não tinha projeto executivo, orçamento, traçado definitivo ou prazo de conclusão; posteriormente afirmou que pretende iniciar os estudos em janeiro de 2027 e buscar recursos no Governo Federal, na bancada federal e em outras fontes de financiamento. A promessa responde a um problema real, mas o próximo passo precisa ser igualmente concreto: apresentar projeto, custo e uma engenharia financeira capaz de transformar a terceira ponte de desejo histórico em obra executável.