• Redação
  • 08/11/2026

Em audiência de custódia, lutador preso por espancar vizinhas na Tijuca disse que usa maconha, cocaína e remédios controlados

G1 - O lutador de jiu-jítsu Lucas Portela Fontana Gomes, preso por agredir vizinhas na Tijuca na última quinta-feira (5), afirmou durante sua audiência de custódia neste sábado (7) que é usuário de maconha, cocaína, quetamina e remédios controlados. Ele já tinha afirmado em depoimento à polícia que é usuário também de anabolizantes.

O juiz, que durante a audiência converteu a prisão preventiva em temporária, escreveu na ata que o preso não aparenta ter nenhum transtorno mental. Lucas segue preso na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Uma das sequências de agressões foi registrada por uma câmera de segurança instalada no elevador do prédio. As imagens mostram o homem desferindo socos, cotoveladas e golpes contra a cabeça da vítima. Em entrevista à GloboNews, a mulher contou que achou que ia morrer durante a sessão de espancamento.

O caso aconteceu na madrugada de quinta-feira (5). O lutador invadiu inicialmente o apartamento de uma idosa de 81 anos, no terceiro andar do edifício, que foi agredida e teve traumatismo craniano. Em seguida, agrediu uma segunda moradora, de 40 anos, que havia subido para tentar entender o que estava acontecendo.

Durante a abordagem policial, na manhã do mesmo dia, Lucas foi baleado nas pernas após, segundo o registro da ocorrência, reagir à ação dos agentes e tentar pegar a arma de um policial. Mesmo ferido, ele ainda resistiu à prisão e tentou subir pelas escadas do condomínio. Foi imobilizado após o uso de uma arma de choque. A Justiça já havia decretado a prisão preventiva por tentativa de feminicídio.

Depoimentos de agentes relatam luta corporal e dois tiros

Lutador é preso depois de agredir violentamente duas vizinhas no Rio — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O RJ2 teve acesso aos depoimentos dos dois policiais militares e dos dois guardas municipais que participaram da abordagem a Lucas Portela. Os quatro agentes apresentaram versões semelhantes sobre a ocorrência.

Um dos guardas municipais contou que, ao entrar no prédio e encontrar Lucas, deu ordens para que ele se deitasse no chão. Segundo o depoimento, o suspeito reagiu com agressões e o agente tentou usar uma arma de choque, mas o equipamento apresentou falha.

Ainda de acordo com os relatos, Lucas avançou contra um policial militar e tentou tomar a arma de fogo dele. O PM afirmou que fez um disparo para se defender, atingindo uma das pernas do suspeito.

Os agentes disseram que, mesmo ferido, Lucas continuou a luta corporal e voltou a agredir os guardas municipais. Diante da reação, o policial fez um segundo disparo, que atingiu a outra perna do suspeito.

Os depoimentos apontam que, mesmo baleado nas duas pernas, Lucas continuou resistindo. Um dos guardas tentou novamente usar a arma de choque, desta vez com sucesso. Só então os agentes conseguiram imobilizá-lo e colocar as algemas.

Apesar dos relatos dos quatro agentes, Lucas Portela foi liberado inicialmente.

Em nota, a Polícia Civil informou que o caso foi analisado pela Central de Flagrantes, que não identificou, naquele primeiro momento, elementos suficientes para justificar a prisão em flagrante.

A corporação afirmou ainda que, logo depois, a equipe da delegacia da Praça da Bandeira teve acesso às imagens das câmeras de segurança, aos boletins médicos das vítimas e aos depoimentos de testemunhas. Com base nesse material, a polícia representou pela prisão de Lucas, que permaneceu monitorado até ser localizado e capturado.

A vítima disse esperar que o suspeito permaneça preso e responda pelo que fez. “Eu espero que seja feita justiça, que ele permaneça lá na cadeia e não saia de lá para fazer isso com outras pessoas, outras mulheres também. Se ele fez isso comigo, ele vai fazer com outra, vai até chegar ao ponto de matar alguém”, afirmou

As duas vítimas foram encaminhadas ao Hospital Municipal Souza Aguiar. A idosa teve alta neste sábado, enquanto a mulher agredida no elevador recebeu alta na sexta. O caso é investigado pela 18ª DP (Praça da Bandeira).