• Redação
  • 24/06/2026

Ala do PSOL vê Erika “cavando falta” para sair do partido

SBT - Em tempos de Copa do Mundo, as metáforas futebolísticas estão em alta entre os políticos. Na mais recente crise do PSOL, uma ala do partido tem definido da seguinte forma a decisão da deputada Erika Hilton (SP) de ir a público criticar a parcela de recursos que receberá do fundo eleitoral: “ela está cavando falta”. Na visão de integrantes da sigla, a parlamentar está forçando um atrito para justificar eventual desfiliação após as eleições.

O rumor de uma possível saída de Erika do PSOL ganhou força neste ano durante a discussão sobre uma federação partidária da sigla com o PT. A ala da qual a deputada faz parte, que inclui o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), defendia a união com os petistas, mas a ideia enfrentou grande resistência interna.

Após perderem o cabo de guerra sobre a federação, Boulos e Erika cogitaram deixar o PSOL e se filiar ao PT antes da eleição, mas acabaram desistindo da ideia. “Eu e muitas lideranças decidimos ficar no @PSOL50 para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira”, disse Erika na publicação que fez nas redes sociais nesta terça-feira (23) para acusar o partido de descumprir acordos.

Para uma ala do PSOL, contudo, Erika ficou no partido porque no PT receberia ainda menos recursos do fundo eleitoral. Psolistas dizem que a sigla destinará mais de R$ 2 milhões para Erika, enquanto no PT candidaturas à reeleição teriam R$ 1,8 milhão. Também afirmam que a deputada ficou com receio de perder a presidência da Comissão da Mulher na Câmara caso trocasse de sigla.

A troca de farpas veio a público depois que Erika afirmou que o montante do fundão previsto para sua candidatura no PSOL poderia inviabilizar sua reeleição à Câmara. A parlamentar também questionou o fato de a ex-deputada Manuela D’Ávila, que se filiou recentemente à legenda, receber mais dinheiro para financiamento de campanha.

Manuela concorrerá a senadora no Rio Grande do Sul. A direção do PSOL diz que, por ser uma candidatura a cargo majoritário e não proporcional, é preciso mais recursos. Além disso, argumenta que essa é a única chance de o PSOL entrar no Senado.

Erika também acusou a presidente do PSOL, Paula Coradi, de desmontar política de inclusão do partido que garantia critérios de gênero e raça para repasses nacionais, além de verbas maiores para pessoas com deficiência (PCD).