27 de março de 2026

Entre o púlpito e o mercado: Michelle Bolsonaro associa nome da família a cerveja e vape e expõe contradição com discurso evangélico

Autor: Daniel Menezes

A iniciativa de Michelle Bolsonaro de registrar o nome “Jair Bolsonaro” para uma ampla gama de produtos — incluindo cerveja, vape e itens ligados ao consumo de tabaco — chama atenção pela contradição com a imagem pública que ela construiu junto ao eleitorado evangélico. Isso porque esses produtos estão tradicionalmente associados a práticas rejeitadas por muitas igrejas neopentecostais, base religiosa à qual a ex-primeira-dama se vincula e frequentemente mobiliza politicamente. Embora sua assessoria alegue que o objetivo seria apenas proteger a marca contra usos indevidos, o fato de os registros abrangerem justamente itens como bebidas alcoólicas e dispositivos para fumo expõe um contraste entre discurso moral conservador e as possibilidades comerciais abertas com o uso do nome da família.

Sbt News

As solicitações foram preenchidas em julho de 2024, e tiveram seu deferimento publicado, em sua maioria, na última terça-feira (24) na Revista da Propriedade Industrial (RPI) - coincidentemente no mesmo dia que o ministro do Supremo Alexandre de Moraes autorizou a prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, internado há quase duas semanas em razão de uma broncopneumonia.

Para conseguir os registros, Michelle contratou uma empresa de Santa Catarina só para acompanhar os processos, e gastou cerca de R$ 1 mil com taxas.

A ex-primeira-dama começou a expor seu lado empreendedor com a linha de perfumes do casal Bolsonaro, comercializada pelo cabeleireiro Agustin Fernandes. Em fevereiro de 2025, a filha mais velha de Michelle Bolsonaro, Letícia Marianno, e seu irmão, Carlos Eduardo Antunes Torres, abriram uma empresa com capital de R$ 300 mil chamada "Loja do Bolsonaro Oficial".

A firma se dedica à venda de camisas, bonés e outros souvenirs com a imagem do ex-presidente, sem detalhes se os lucros são dividos entre os outros membros do clã. Com os novos registros, Michelle também poderá usar a marca "Jair Bolsonaro" para a venda de:

1. Bananada; doce de banana; geleias; goiabada cascão; milho-doce processado; peixe em conserva; peixe em salmoura; peixe enlatado.

2. Café; chá; massas alimentícias; pão; sorvetes.

3. Alimentos para animais; frutas, verduras e legumes frescos; malte para cervejaria e destilaria; plantas.

4. Águas (bebidas); cerveja; suco de caju; suco de fruta; suco de tomate (bebida); sucos de frutas; sucos de frutas, verduras e legumes (bebidas).

5. Bebidas alcoólicas, exceto cerveja.

6. Fósforos; isqueiros para fumantes; tabaco; vaporizadores para fumantes.

7. Acolchoados para cama; toalhas de mesa; materiais têxteis; tecidos.

Em nota compartilhada nas redes sociais de Michelle Bolsonaro, a Comunicação do PL Mulher afirma que um dos objetivos do registro de marcas é impedir o uso do nome de Jair Bolsonaro e sua esposa "para venda de produtos que não condizem com os valores e princípios defendidos por ambos". O comunicado nega a intenção de venda de "bebidas alcoólicas e cigarros", mas não é claro quanto aos demais itens dos registros obtidos.

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