2 de março de 2026

Ex-sócio da Fictor fez visitas frequentes a Hugo Motta antes de anúncio da compra do Master

Autor: Daniel Menezes

Por Alice Maciel 

Responsável por costurar as relações políticas do Grupo Fictor, o ex-sócio da holding de investimentos Luiz Phillippe Rubini fez visitas frequentes à residência oficial da presidência da Câmara dos Deputados, em Brasília, em setembro e outubro do ano passado, às vésperas do anúncio da compra frustrada do Banco Master.

Ao longo desses dois meses, Rubini ia quase toda semana, por volta das 7h — às terças ou quartas-feiras — tomar café da manhã com o deputado federal Hugo Motta (Republicanos/PB), de acordo com pessoas próximas ao político e ao empresário. As tratativas para “salvar” o Banco Master teriam sido postas à mesa, segundo os relatos.

Àquela altura, o Fictor já negociava com Daniel Vorcaro, que também mantinha contato com o deputado Hugo Motta e outros parlamentares do Centrão. Como revelou o ICL Notícias, a empresa assinou em 16 de outubro um contrato de R$ 500 milhões com a Titan Capital, holding que concentra os investimentos pessoais de Vorcaro e está registrada em paraíso fiscal. Um mês depois, em 17 de novembro, a Fictor comunicou a intenção de comprar o Banco Master.

Por meio de nota, Rubini afirmou que não mantém “qualquer relação com o deputado Hugo Motta” e que “nunca houve reuniões oficiais” entre eles. Questionada pela reportagem se a negativa se referia à realização de quaisquer encontros ou apenas a reuniões de trabalho, a assessoria de imprensa do empresário respondeu que se referia a “encontros de natureza oficial”.

Rubini também declarou que não participou de negociações envolvendo a Fictor, a Titan Capital Holding ou o Banco Master, pois, segundo ele, “já não integrava a empresa à época dos fatos”. Além disso, o empresário informou que “não mantinha contato com Daniel Vorcaro, com quem não possui relação pessoal ou profissional”. O ICL Notícias procurou Hugo Motta e a Fictor, mas não obteve resposta.

A compra do Banco Master pela Fictor, em consórcio com investidores dos Emirados Árabes, não avançou. No dia do anúncio da aquisição, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero — que apura irregularidades contra o Sistema Financeiro Nacional — e, em seguida, o Banco Central decretou a liquidação do Master.

A PF investiga suspeitas de fraude e possível ligação do Fictor com as irregularidades do banco. O inquérito foi aberto após empresas do grupo pedirem recuperação judicial, menos de três meses depois de a companhia anunciar aporte de R$ 3 bilhões para comprar o banco de Vorcaro.

Vai quem fica

Apesar de ter informado sua saída da sociedade da Fictor em dezembro de 2024, Rubini continuou despachando nos escritórios da empresa em São Paulo e Brasília até novembro de 2025, segundo funcionários ouvidos pela reportagem.

Atualmente credor da Fictor em R$ 34,4 milhões, Rubini também permaneceu como conselheiro de empresas do grupo até outubro do ano passado.

Reportagem do portal UOL, que teve acesso a gravações de reuniões internas da Fictor, informa que, em encontro realizado em 21 de janeiro e gravado por colaboradores, o CEO e sócio da empresa, Rafael Paixão, afirmou que a companhia enfrentava uma crise “reputacional”, mas que haviam decidido “lutar”, pois ali estavam “a vida dele, a vida do Rafa, a vida do Rubini, a vida de vocês e a vida dos clientes”.

Foi Rubini quem alugou — até dezembro de 2025 — uma mansão no Lago Sul, em Brasília, que teria sido usada pela Fictor para receber políticos e empresários. De acordo com reportagem do Estado de S. Paulo, ministros do governo federal e parlamentares do PT estiveram no local.

Por meio de nota, o empresário informou que após sua saída da sociedade da Fictor, “limitou-se exclusivamente a tratar de atos formais de conselho e da transição”. “O imóvel citado na reportagem era utilizado como escritório da empresa em Brasília, frequentado por membros e funcionários, sem qualquer finalidade irregular”, acrescentou.

“Especialista em relações governamentais”

Luiz Phillippe Rubini tem 39 anos e se define como investidor e empreendedor. Em seu currículo, ele diz que é “especialista em relações institucionais e governamentais com foco na articulação estratégica com stakeholders nacionais e internacionais”.

Em novembro de 2024, ele foi convidado pelo Senado a integrar a frente de diálogo com o Brics. Já em agosto de 2025, foi nomeado para o Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Presidência da República — o chamado “Conselhão”, órgão consultivo do governo federal composto por empresários e representantes da sociedade civil.

Rubini também é citado em reportagens  sobre sua relação com Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha” — filho mais velho do presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva (PT) — que está sendo investigado pela PF no inquérito que apura os desvios no INSS. Segundo reportagem da Revista Piauí, Rubini e Lulinha se conheceram na época em que o empresário agenciava jogadores de futebol, no período em que morou na Espanha.

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