3 de fevereiro de 2026

Voto aberto expõe forças na eleição indireta e dificulta acordo pró-governo para “mandato tampão” no RN

Autor: Daniel Menezes

A defesa do voto aberto em uma eventual eleição indireta para o Governo do RN, feita pelo presidente da Assembleia Legislativa do RN, Ezequiel Ferreira, muda o tabuleiro. Num ambiente altamente polarizado, a transparência do voto tende a aumentar o custo político para deputados que contrariem a pressão de suas bases. Com a oposição reunindo um bloco robusto — só o PL soma oito parlamentares — e com parte da Casa inclinada a seguir a orientação do líder das pesquisas, Allyson Bezerra, o espaço para composições discretas diminui sensivelmente.

Nesse contexto, a fala do líder da oposição, Tomba Farias, ao defender um nome “técnico, que arrume a casa”, não soa como disposição para entregar o comando do Estado em um arranjo que favoreça a saída da governadora com vistas à construção de um sucessor. Com voto aberto, cada posição ficará registrada, e a tendência é que a correlação de forças se imponha de forma explícita no plenário — tornando improvável um acordo silencioso e elevando o peso do cálculo eleitoral imediato sobre qualquer solução de transição.

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