Willer Tomaz usa foto de Flávio no perfil do WhatsApp: "vai vencer"
Alvo de investigações da Polícia Federal (PF), o advogado Willer Tomaz usa uma fotografia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) em seu perfil no WhatsApp. A imagem é mais um sinal da proximidade entre os dois, que já viajaram juntos em jatinhos particulares e agora têm sua relação financeira investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro. Tomaz também aparece em apurações sobre fraudes no INSS, movimentações bilionárias em plataformas de apostas e supostos vazamentos de documentos do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A relação entre o advogado e o presidenciável está no centro do segundo inquérito aberto contra Flávio no STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A investigação teve origem em uma apuração sobre operações financeiras ligadas a plataformas de apostas. Ao examinar arquivos armazenados na nuvem do celular de Tomaz, a PF encontrou registros de viagens, encontros e documentos que levantaram suspeitas sobre possíveis vínculos financeiros entre os dois. Flávio nega irregularidades e afirma que mantém apenas uma relação de amizade com o advogado.
Flávio Bolsonaro tem imagem destacada no perfl do advogado Willer Tomaz no Whatsapp.Reprodução
Conta bancária sob investigação
Um dos principais elementos da investigação é uma conta bancária da Alcazar Holding, empresa ligada a Tomaz. Segundo documentos obtidos pelo g1 e pela TV Globo, Flávio foi cadastrado como "usuário master", condição que, na avaliação da PF, lhe daria acesso operacional relevante à conta. Em maio de 2025, uma funcionária do advogado solicitou ao banco a retirada do nome do senador. Os investigadores apuram se esse vínculo representava alguma participação econômica ou societária. Flávio e Tomaz negam ter negócios em comum. O cadastro, por si só, não comprova que o senador tenha movimentado recursos.
A proximidade também aparece em viagens internacionais. Em setembro, a revista piauí revelou que Flávio, sua família e Tomaz viajaram juntos em janeiro de 2025, da Flórida para Brasília, num jatinho com participação de empresas ligadas ao advogado e ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. "Ainda bem que na época o avião era de Willer", escreveu Flávio nas redes sociais. Tomaz afirmou à CNN Brasil que custeou integralmente a viagem e negou qualquer participação de Vorcaro. Mais recentemente, a Folha de S.Paulo revelou que uma empresa de apostas ligada ao advogado também pagou voos de Flávio pela Europa em 2025. A defesa afirma que os deslocamentos eram passeios entre amigos, sem contrapartidas.
Outras investigações
Tomaz também é investigado por movimentações financeiras envolvendo a plataforma de apostas Blaze. Reportagem publicada pelo UOL no domingo (18) revelou que a PF analisa cerca de R$ 1,4 bilhão em transações entre contas ligadas ao advogado e o site de apostas. Os investigadores suspeitam que transferências sucessivas possam ter servido para ocultar a origem e o destino de recursos. Tomaz contesta os valores, nega irregularidades e afirma que sua relação com a plataforma era exclusivamente como apostador.
Nesta segunda-feira (19), outra investigação envolvendo o advogado motivou buscas da PF contra Humberto Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação do STJ. Segundo apuração do UOL, Pradera é suspeito de fornecer antecipadamente ao escritório de Tomaz minutas de decisões judiciais e pareceres do Ministério Público Federal. Ele foi exonerado na sexta-feira (16), após a abertura de uma apuração interna no tribunal. Tomaz nega ter recebido documentos irregularmente ou interferido em manifestações do Ministério Público. Não há indicação de participação de Flávio nos supostos vazamentos.
O advogado também foi alvo de buscas na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios do INSS. Nessa frente, a PF apura suspeitas de ocultação de recursos relacionados ao senador Weverton Rocha (PDT-MA). Tomaz nega envolvimento nas fraudes e critica a divulgação de informações sigilosas durante a campanha eleitoral. As diferentes investigações continuam em andamento, sem conclusão sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.