“Voçorocas feitas com as mãos”: explicação de secretário não resiste ao avanço visível da erosão na engorda de Ponta Negra
A polêmica em torno das voçorocas na engorda de Ponta Negra não é recente. Ainda no início de 2025, durante declarações públicas repercutidas em redes sociais e entrevistas, o secretário de Meio Ambiente de Natal, Thiago Mesquita, chegou a atribuir o surgimento das primeiras erosões à ação de pessoas, sugerindo que teriam sido formadas com as mãos.
Desde então, no entanto, o cenário observado na praia tem seguido na direção oposta ao argumento inicial. Registros recentes mostram que as voçorocas, caracterizadas como grandes processos erosivos causados pela força da água, não apenas persistem como vêm se ampliando em diferentes trechos da faixa de areia. Mesmo com a implementação do sistema de drenagem da obra, episódios sucessivos de chuvas têm gerado novos pontos de erosão e acúmulo de água, evidenciando que o fenômeno está associado à dinâmica hídrica e ao escoamento pluvial não planejado.
Na prática, o contraste entre a explicação inicial e a evolução dos fatos é gritante. Enquanto a gestão municipal passou a defender que os alagamentos seriam “previstos” dentro do projeto, o avanço e a recorrência das voçorocas indicam um problema estrutural ainda não resolvido e que segue visível a cada novo episódio de chuva na orla mais famosa de Natal.