• Redação
  • 21/08/2026

VOCÊ SABIA? Três inquéritos contra Lulinha investigam tráfico de influência, mas negócios sob suspeita não viraram contratos

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é atualmente alvo de três inquéritos da Polícia Federal, relacionados, em linhas gerais, a suspeitas de tráfico de influência. As apurações estão em andamento e, até o momento, não há prejuízo ao erário atribuído a Lulinha publicamente quantificado nesses três inquéritos. Também é necessário separar valores mencionados em negociações dos eventuais danos aos cofres públicos: proposta de contrato, contrato efetivamente celebrado e prejuízo ao erário são coisas diferentes.

1º inquérito — World Cannabis e a proposta de R$ 626 milhões que não virou contrato

O primeiro inquérito apura uma possível atuação para favorecer interesses ligados à World Cannabis em negócios com o Ministério da Saúde. Mensagens obtidas pela PF mostram tratativas relacionadas ao fornecimento de medicamentos à base de canabidiol e uma proposta cujo valor poderia chegar a R$ 626 milhões. O ponto central, entretanto, é que o negócio não se concretizou: o Ministério da Saúde afirma não ter celebrado contrato com a World Cannabis. Portanto, os R$ 626 milhões representam o valor de uma negociação investigada, e não dinheiro comprovadamente desviado dos cofres públicos. A investigação procura esclarecer se houve tráfico de influência nas tentativas de viabilizar o negócio.

2º inquérito — 3Structure e Dataprev: estatal diz que não contratou empresa

O segundo inquérito investiga se Lulinha teria usado influência para favorecer o empresário Cleber Ribas de Oliveira, da 3Structure IT, na busca por negócios com a Dataprev e outros órgãos federais. A 3Structure efetivamente possui contratos com órgãos públicos federais, mas isso precisa ser separado do negócio que está no centro da apuração: a Dataprev declarou que não possui contrato com a empresa. A PF investiga a possível atuação de Lulinha em favor do empresário, inclusive circunstâncias envolvendo o custeio de uma viagem. Até agora, porém, não há informação pública de que o negócio pretendido com a Dataprev tenha sido fechado nem de que os contratos da 3Structure com outros órgãos tenham sido considerados fraudulentos ou tenham gerado dano ao erário.

3º inquérito — PF apura possível atuação para favorecer interesses privados

O terceiro inquérito, autorizado pelo ministro Flávio Dino, do STF, em 4 de agosto, também apura suspeitas de tráfico de influência. A investigação surgiu de informações encontradas pela PF sobre contatos envolvendo Lulinha, pessoas próximas a ele, empresários e integrantes do governo, buscando esclarecer se o filho do presidente teria participado de articulações para favorecer interesses privados dentro da administração federal. Como parte relevante da investigação permanece sob sigilo, é necessário evitar transformar suspeitas em fatos consumados: até agora, as informações tornadas públicas não demonstram dano ao erário quantificado decorrente das tratativas específicas investigadas nesse inquérito. A defesa de Lulinha nega irregularidades.

Assim, o retrato disponível até o momento é mais limitado do que algumas publicações nas redes sociais fazem parecer: há três investigações e suspeitas que precisam ser esclarecidas, mas não há valor de prejuízo ao erário atribuído a Lulinha publicamente estabelecido nesses inquéritos. No caso da World Cannabis, os R$ 626 milhões dizem respeito a uma proposta que não virou contrato; no caso da Dataprev, a estatal afirma que não contratou a 3Structure. A empresa tem outros contratos com o governo, mas que não estão sob escrutínio, ao mesno até agora, da polícia federal. As investigações continuam e esse quadro poderá mudar caso novas provas sejam produzidas.

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