Álvaro Dias foi derrotado pela engorda de Ponta Negra
A derrota de Álvaro Dias (PL), que terminou o primeiro turno fora da disputa pelo Governo do RN, não pode ser explicada por erros eventuais de campanha ou de sua equipe. O ex-prefeito carregou para a eleição estadual o peso de seu próprio legado administrativo em Natal. A engorda de Ponta Negra, principal vitrine de sua gestão, transformou-se também em um de seus maiores passivos políticos, cercada por problemas de drenagem, alagamentos e questionamentos sobre o licenciamento. O próprio Álvaro reconheceu durante a campanha que entregou a intervenção sem o sistema de drenagem concluído. As sucessivas imagens de uma praia inacreditavelmente alagada fizeram estrago.
A campanha poderia mudar estratégia, comunicação e discurso, mas tinha dificuldade para apagar uma imagem concreta que o eleitor de Natal encontrava diante de si. A engorda e outras obras inacabadas foram exploradas pelos adversários justamente para confrontar a principal credencial apresentada por Álvaro: sua experiência administrativa na capital. No fim, Allyson Bezerra e Cadu Xavier avançaram ao segundo turno, enquanto Álvaro ficou em terceiro. Mais do que uma derrota de sua equipe eleitoral, o resultado permite uma leitura política mais direta: Álvaro acabou derrotado pelo legado da própria gestão, simbolizado pela engorda de Ponta Negra.