Trump perde força no Brasil e silêncio de Flávio Bolsonaro sobre facções como organizações terroristas revela mudança de estratégia
Pesquisas recentes indicando elevada rejeição ao presidente norte-americano Donald Trump entre os brasileiros ajudam a explicar uma mudança perceptível no discurso de Flávio Bolsonaro. Temas que até pouco tempo ocupavam espaço central na retórica bolsonarista, como a suposta necessidade de enquadrar facções criminosas como organizações terroristas com apoio ou influência dos Estados Unidos, perderam protagonismo. O silêncio sobre o assunto sugere que a estratégia já não produz os mesmos dividendos políticos de antes.
A mudança indica algo relevante para a disputa eleitoral: discursos importados do ambiente político norte-americano parecem encontrar hoje mais resistência do que adesão no Brasil. Quando a imagem de Trump passa a ser associada por parcela significativa do eleitorado a interferências externas ou a posições vistas como contrárias aos interesses nacionais, candidatos e lideranças que buscavam capitalizar essa aproximação tendem a recalcular a rota. Na política, temas permanecem em evidência enquanto geram ganhos; quando passam a produzir desgaste, a tendência é que desapareçam rapidamente do centro da narrativa. O recuo retórico observado nos últimos meses parece seguir exatamente essa lógica.