Trump compartilha artigo que vê Brasil como 'próximo teste'
SBT - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou em sua rede social Truth Social um artigo que descreve uma suposta onda de realinhamento político na América Latina e aponta o Brasil como o "próximo grande teste" desse movimento. O texto, assinado pelo jornalista John Gizzi, foi publicado na segunda-feira (22) no veículo conservador "Newsmax".
O artigo toma como ponto de partida a vitória do conservador Abelardo de la Espriella na Colômbia. Segundo a análise, o resultado "representa mais do que uma simples mudança política", sendo “o capítulo mais recente de um amplo realinhamento ideológico pró-Trump que está transformando o Hemisfério Ocidental".
O autor descreve o presidente eleito como um advogado milionário, admirador de Trump, de Ronald Reagan e de Margaret Thatcher. Sua campanha, de acordo com o texto, teria se baseado na promessa de uma política de "mão dura" contra o crime organizado, em contraste com o governo anterior, acusado de "buscar negociação" com grupos armados.
Na sequência, o artigo amplia o recorte regional ao citar a "eleição" de Keiko Fujimori, no Peru, como parte desse mesmo movimento. O texto afirma que a candidata conservadora estaria eleita, embora ela ainda não tenha sido oficialmente declarada vencedora, mesmo com mais de 99% das urnas apuradas.
Em um dos trechos mais enfáticos, o autor sustenta que "Trump está se consolidando como uma figura hemisférica moderna", cuja influência ultrapassaria as fronteiras dos EUA. Em outra passagem, apoiadores são descritos como alguém que o compararia simbolicamente a Simón Bolívar, em referência ao líder das independências latino-americanas.
A comparação é controversa do ponto de vista histórico. Bolívar teve papel central nas independências da América do Sul no século 19, liderando guerras contra o domínio colonial espanhol e defendendo a criação de Estados soberanos, em um projeto político ligado à ruptura com o sistema colonial.
O artigo também menciona um suposto eixo institucional emergente, chamado "Escudo das Américas", atribuído ao entorno de Trump. A iniciativa reuniria países em cooperação contra cartéis, tráfico de drogas e imigração irregular, por meio de troca de inteligência e ações coordenadas.
Na parte final, o texto lista quatro países como "desafios restantes" desse movimento regional: Venezuela, Cuba, Nicarágua e Brasil. Sobre o caso brasileiro, afirma que "as atenções agora se voltam para o Brasil, a maior nação da América Latina e potência política da região", apresentando o país como o próximo grande teste do alinhamento descrito.
O trecho dedicado ao Brasil menciona ainda a polarização política interna, afirmando que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro estariam se articulando em torno de seu filho para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O artigo também sugere que a disputa eleitoral “está gerando intenso debate sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro", sem apresentar evidências.
Ao concluir, o texto retoma a tese central de uma mudança estrutural no continente, afirmando que as recentes vitórias na região seriam "a mais recente evidência de que uma poderosa corrente política está se movendo pelo hemisfério". O autor reconhece, no entanto, que esse "ressurgimento conservador permanece incompleto", citando países como Venezuela, Cuba e Nicarágua.