SEBO VERMELHO LANÇA REEDIÇÃO DE CRÔNICA DA BANALIDADE, DE CARLOS DE SOUZA
Crônica da Banalidade, livro de estreia de Carlos de Souza (1959-2009), é um marco da literatura potiguar dos anos 1980, e estava há mais de 40 anos fora das prateleiras. A obra retorna agora pela Sebo Vermelho Edições, revisado, com novo projeto gráfico e acrescido de fortuna crítica sobre a novela que abalou a província em 1988. O lançamento será no sábado, dia 16 de maio, a partir das 10h, no Sebo Vermelho (av. Rio Branco, 705 - Centro).
Misturando pitadas de autoficção e muita escrita automática, a Crônica narra a história de um músico sem nome, apaixonado por jazz e por uma mulher, frustrado por viver de tocar em churrascarias pela noite da cidade. Ele então decide largar tudo e fugir para uma grande metrópole (São Paulo?) mas acaba internado num hospício muito doido.
Lançado em 1988, o livro chamou a atenção da crítica local e, com o passar dos anos, ganhou uma aura cult entre o público leitor. O fato de terem se passado quase 40 anos desde sua primeira edição transformaram cada exemplar em pequenas raridades de sebos locais.
Um dos primeiros a escreverem sobre a crônica foi o imortal Manoel Onofre Jr., que incluiu Carlos de Souza em sua lista de escolhidos para o estudo “Ficcionistas do Rio Grande do Norte”, de 1995, e reeditado em 2010 como “Ficcionistas Potiguares”. Para
Onofre, “o autor - meio filósofo, meio poeta, fascinado pela beat generation, constrói com esta novela, fragmentária à primeira vista, uma bela parábola sobre a existência e seus grandes temas”.
A novela rompe uma tradição na prosa potiguar de até então, centrada na memória e no regionalismo. Por isso, para a pesquisadora Cellina Muniz, “a autoria de Carlão (como o autor era conhecido) transita rumo a outro posicionamento literário, às margens”. Junto com “Temporada de Ingênios”, de João Batista de Moraes Neto, e “Gestos Mecânicos”, de Ruben G. Nunes, a “Crônica da Banalidade” marca essa guinada da literatura potiguar rumo ao cenário urbano e ao experimentalismo da prosa pós-moderna.
Para o crítico Thiago Gonzaga, o livro pode ser já considerado “um clássico cult” local. “Carlão [...] foi extremamente feliz já na escolha do título, que anuncia uma proposta estética centrada no aparentemente trivial como locus de sentido: a banalidade não é vista como vazio, mas como espaço de observação crítica e de construção de significado narrativo”, defende.
Além da prosa poética e alucinada de Carlos de Souza, a edição traz ainda os textos críticos de Gonzaga, Muniz e Onofre e fecha com uma entrevista feita com o autor em 2012, por Cellina Muniz, professora do Departamento de Letras da UFRN, e a artista Jota Mombaça, como parte de uma pesquisa acadêmica coordenada à época pela docente.
O lançamento marca ainda a passagem dos aniversários do autor e do editor Abimael Silva. Para celebrar a data, a família de Carlão preparou uma sacola ecológica temática, com uma frase do livro e uma charge do escritor assinada por Edmar Viana, um dos maiores nomes dos quadrinhos potiguares. A quantidade é limitada e, na pré-venda, a sacola e o livro custam, com desconto, 80 reais. No dia do lançamento, o kit estará à venda por 100 reais (livro por 60 reais e sacola por 40 reais).
Para dar o clima de festa, o Sebo Vermelho terá também a partir das 11h uma discotecagem de Fernandinho, o Implacável dos Vinis, com o tema Bodega da Praça, churrasquinho e cerveja gelada.
Para adquirir o kit na pré-venda até próxima quinta (14/5), basta entrar em contato com o Sebo Vermelho pelo Instagram (@sebovermelho) ou com Alex de Souza, filho do autor que organizou a edição.
Serviço
Lançamento do livro “Crônica da Banalidade” (2ª edição)
R$ 60 - 144 págs
Data e horário: 16/5 a partir das 10h
Local: Sebo Vermelho (Avenida Rio Branco, 705 - Centro)
