Mesmo após ACP devastadora do MPF e laudos negativos da Defesa Civil, TCU e FUNPEC/UFRN sobre a Engorda de Ponta Negra, por que Paulinho Freire continua blindando Thiago Mesquita na SEMURB? Que poder o secretário tem sobre o Prefeito?
A Ação Civil Pública do Ministério Público Federal elevou ainda mais o nível de desgaste técnico e político da engorda de Ponta Negra. Depois dos alertas e restrições apontados pela Defesa Civil Nacional e das auditorias e cobranças feitas pelo Tribunal de Contas da União, agora o próprio MPF expõe um conjunto de falhas estruturais, ambientais e hidráulicas que atingem diretamente o coração da obra. A ação descreve um cenário de drenagem precária, alagamentos recorrentes, risco de erosão no entorno do Morro do Careca, presença de águas contaminadas e até estruturas classificadas pela perícia como “tubulações falsas” e galerias bloqueadas propositalmente. Para o MPF, a obra foi executada de forma acelerada, com inversão da lógica técnica da engenharia e sem que a drenagem estivesse concluída antes da engorda.
O aspecto talvez mais devastador politicamente é que a própria Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (FUNPEC/UFRN), constantemente apresentada pela Prefeitura como símbolo de credibilidade e respaldo técnico da obra, surge na ACP produzindo relatórios extremamente críticos sobre o que foi encontrado em Ponta Negra. Segundo os documentos citados pelo MPF, os relatórios da FUNPEC apontam falhas estruturais, risco de colapso hidráulico, presença de esgoto misturado às águas pluviais, deficiência dos dissipadores, acúmulo de águas contaminadas e ameaça à estabilidade da engorda e da área do Morro do Careca. Ou seja: até mesmo a instituição utilizada politicamente como selo de validação técnica acabou se transformando em fonte de documentação que reforça as acusações de graves problemas na execução e no funcionamento da obra.
Diante desse cenário, a pergunta política passa a ser inevitável: como Paulinho Freire mantém Tiago Mesquita no comando da SEMURB e continua blindando o secretário mesmo após sucessivas crises, laudos negativos e agora uma ACP do MPF extremamente pesada? A permanência de Tiago Mesquita já ultrapassa a esfera meramente administrativa e começa a entrar no terreno da sustentação política estratégica. Afinal, quando Defesa Civil Nacional, TCU, MPF e até relatórios ligados à própria FUNPEC convergem para críticas tão severas sobre a obra, a insistência em preservar o principal fiador técnico e político da engorda inevitavelmente desperta questionamentos sobre o grau de influência e poder que Tiago Mesquita exerce dentro da atual gestão municipal.