• Redação
  • 13/06/2026

Se Paulinho não “tomar” as obras de Álvaro, não terá o que inaugurar

A declaração do líder do governo na Câmara, Aldo Clemente, defendendo cautela na abertura do Hospital Municipal de Natal expõe um dilema político e administrativo da gestão Paulinho Freire. O hospital, inaugurado ainda no fim do governo Álvaro Dias sem entrar efetivamente em funcionamento, transformou-se no símbolo mais visível de um conjunto de obras entregues parcialmente ou deixadas sem conclusão adequada. A própria discussão atual gira em torno da necessidade de estruturar a unidade antes de colocá-la em operação, evitando que a pressa política prevaleça sobre a qualidade do atendimento.

O problema para Paulinho é que a herança administrativa recebida inclui dezenas de empreendimentos paralisados ou inconclusos. Relatório da equipe de transição enviado ao Tribunal de Contas do Estado apontou a existência de 46 obras paradas ao final da gestão anterior, além de elevados restos a pagar. Nesse cenário, resta ao atual prefeito Paulinho Freire finalizar as obras de Álvaro Dias e chamar os empreendimentos políticos de seus.

Do ponto de vista político, a conclusão é simples. Se Paulinho Freire não assumir como prioridade a retomada e finalização das obras deixadas por Álvaro Dias, corre o risco de atravessar boa parte do mandato sem entregas relevantes para inaugurar. A ironia é que, para construir uma marca administrativa própria, o prefeito talvez precise justamente finalizar aquilo que seu antecessor anunciou, mas não conseguiu concluir. E renomear toda a operação como sua marca de gestão.